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1.
PRELÚDIO
"O que chamamos
"normal" é um produto de repressão,
negação, cisão, projecção, introjecção e outras
formas de acção destrutiva sobre a experiência".
Laing,
R. "A política da experiência e ave-do-paraíso"
No presente trabalho será dedicada atenção ao
modo como na relação analítica, certo tipo de
processos de insight, participam no processo catártico
que se verifica no sujeito analisado.
O insight neste contexto
consistirá no processo gerado pelo analista, que
através do pressionamento ou "drungen"(em
alemão segundo Freud), irá despertar a projecção
do sujeito sobre o analista, gerando a transferência
( ou transfer ).
O analista através
da utilização do método analítico gera a contratransferência,
criando condições para a emergência do "insigth"
no analisado, provocando a sua catarse.
O problema colocar-se-á no sentido de, no âmbito
do processo ontológico da catarse ( ou "catarsis"),
encontrar se existe uma função causal do insight,
como dinâmica inerente ao processo catártico
2.O Insight como
mecanismo gerador do Processo Catártico
2. INTRODUÇÃO
Insight na vertente deste
trabalho deve ser definido como o processo de
tomada de consciência, gerado pela contratransferência,
realizada pelo método analítico, e cuja dinâmica
determina a catarse.
Segundo a teoria operatória
da inteligência, com raízes em Piaget e nos estruturalistas,
o insight seria a emergência no campo da consciência,
de estruturas formadas por campos de equilíbrio
comuns á realidade e ao sistema neurofisiológico
do sujeito.
Os gestaltistas vêm o insight
como uma função do campo perceptivo, total do
sujeito em que a estrutura desse campo corresponde
ás percepções, actos de inteligência, etc. enquanto
a sua dinâmica determina o funcionamento e conduz
à atribuição de valores positivos ou negativos
aos objectos(materiais ou humanos), definindo
assim a praxologia da afectividade na actividade
cognitiva e no comportamento
3. INSIGHT: O
CONCEITO NA HISTÓRIA DA PSICANÁLISE
A psicanálise originou ao longo da última década
do séc. XIX um tempo particularmente produtivo
na história recente da intelectualidade.
Foi neste século que o Racionalismo Moderno (surgido
dois séculos antes) tomou a direcção da luz -
o caminho da humanização da ciência.
O clima de Liberalismo do Séc. XIX propunha que
o homem deveria resolver os seus problemas através
da ciência. Este clima ainda mais imbuiu a atmosfera
cultural e educacional da época, em que coincidentalmente
Freud crescia e se formava.
"Se sabes, podes realmente fazê-lo".
Quer venha dos Gregos em que a inscrição do templo
era "conhece o teu ser" ("Know
theyself") ou de um "antigo" Novo
Testamento: "a verdade tornar-te-á livre".
Freud acreditava ser possível para o trabalho
científico avançar em termos do conhecimento da
realidade do mundo, e através deste aumentar a
nossa força e de acordo com ela organizarmos as
nossas vidas.
Peter Gay, historiador, escreve sobre Freud e
a sua paixão pelo conhecimento: "o traço
mais manifesto do carácter de Freud, indispensável
à sua capacidade de criar/gerar Insights e os
tornar em numa Psicologia Geral. Um cometimento
incomprometido com a verdade.
Freud acima de tudo "queria saber".
Os primeiros modelos de Freud sobre os processos
da atenção e da consciência foram criterialmente
revistos por dois motivos:
- perceber porque é que eles não conduziram a
uma adequada teoria clínica ou científica do Insight
e
- estabelecer novos pontos de partida produtivos
para uma teoria psicanalítica do Insight.
Freud iniciou a sua carreira na psiquiatria interessando-se
profundamente por tentar explicar como o processo
da atenção é utilizado para proteger as características
lógicas dos processos de pensamento conscientes,
bem como os aspectos realistas da percepção de
influências que vão distorcer os motivos e os
afectos.
Com a sua descoberta da dinâmica do inconsciente
e o princípio da censura, e após ter realizado
ser "terapêuticamente frutuoso" fornecer
aos pacientes (tão rápido quanto possível) conhecimento
directo das suas experiências traumáticas reprimidas,
o seu interesse direccionou-se para a questão
relacionada com a utilização dos processos do
pensamento conscientes ao serviço da gratificação
e defesa sem o indivíduo tomar conhecimento de
como é fácil as suas faculdades de crítica, análise
e juízo serem subvertidas por motivos inconscientes.
Freud acabou eventualmente por desacreditar o
Insight do paciente como um factor vital no processo
de cura valorizando por seu lado o poder irracional
da transferência positiva.
Freud nunca dirigiu directamente o problema para
uma teoria do Insight, nomeadamente como é que
o conhecimento consciente acerca de determinantes
inconscientes do comportamento de uma pessoa conduziram
ou conduzem a uma alteração nas percepções inconscientes
de perigo do Ego e consequentemente a um aumento
da capacidade para mudar as defesas neuróticas.
Ou, posto de outro modo, como é que o Insight
consciente se torna parte do que Rangel descreveu
-em 1969-como a função de tomada-de-decisão do
Ego que permite uma melhor resolução dos conflitos
intrapsíquicos.
A prática terapêutica da época, com a implícita
e iminente emergência de uma teoria causal ou
motivacional da neurogénese, do próprio Insight,
como sendo o principal agente terapêutico. A essência
do "ir dizendo" memórias esquecidas
ou pensamentos considerados como triviais seria
a de libertar os afectos estrangulados.
"Se uma pessoa reconheceu as origens do
passado e se ele ou ela ganharam compreensão ou
um Insight sobre o que "transpirou"
e quais os conflitos escondidos atrás dos sintomas
- deve ter com certeza um efeito de "cura".
Freud nesta altura não usava o termo Insight
nem para o paciente nem para o processo , mas
sim a implicação de que conhecendo a verdade,
adquirindo uma explicação cada vez mais convincente
no que respeita às motivações por detrás da "doença"
especialmente acerca do paradigma das experiências
e fantasias, que Freud mais tarde reformulou em
termos da realidade psíquica.
O elemento Insight (olhando para trás) "esteve
lá " desde o princípio, se bem que não em
papel principal no processo de tratamento.
O objectivo é o recuperar de memórias e chegar
a um ponto onde em que o conflito pudesse ser
resolvido a um nível consciente, uma resolução
das "até agora" incompatibilidades do
inconsciente.
O resultado poderia ser, por consequência, o
alcançar de coerência psíquica ou integração através
da resolução do conflito. Contudo, a resolução
de conflitos, isto é, a reconciliação das incompatibilidades,
é alcançada por virtude de uma tendência integrativa,
agora metapsicologicamente estruturada como a
actividade do Ego: "where Id was, there Ego
shall be".
4
. O PAPEL DO INSIGHT NA RELAÇÃO TERAPÊUTICA
O reconhecimento por parte do paciente da sua
desordem psíquica e o desejo de a curar são pré-requisitos
indispensáveis ao seu tratamento.
A análise tende a falhar onde há falta de Insight
e quando esta é iniciada não por atitude do paciente
mas por pressão familiar ou social.
Questões importantes se colocam: se haverá substitutos
igualmente válidos do Insight, como são feitas
as "substituições"; até que ponto um
indivíduo não consciente da sua patologia pode
ser induzido a desejar a sua extinção. Resumindo,
como se poderá dar a volta a toda a dificuldade
causada pela inexistência desta capacidade, ou
antes pela ausência da capacidade de compreensão
do processo.
5. INSIGHT:
PRESENÇA E AUSÊNCIA (como factor do desenvolvimento
"normal") O
Auto-conhecimento como comunicação entre Id e
Ego
A extensão do conhecimento de cada um acerca
do seu processo psíquico é um dos problemas mais
urgentes que confrontam o Psicanalista.
Um fenómeno para lá da terminologia psicanalítica
e altamente influenciada por ela: o termo usado
para designar esta manifestação específica no
vocabulário psicanalista é o termo "Insight",
tradução Inglesa do termo alemão "Einsicht"
e Freud empregava-o quase exclusivamente para
designar o "dar-se conta" do paciente
da presença e significado dos seus distúrbios
psicológicos ("krankheitseinsicht").
O termo aparece ocasionalmente como algo ligado
ao conhecimento em geral. e numa instância particular
como "revelação": o adjectivo alemão
"Einsichtig", significa "razoável",
"aberto" a argumentos", "não
teimoso", enquanto que na forma Inglesa "Insightful",
"capaz de Insight", significa "Knowledgeable",
"passível de ser conhecido".
De
facto, sempre que encontramos o termo Insight
usado por autores ingleses, é-o sempre como sinónimo
de conhecimento, isto é para os laços estabelecidos
entre consciência e o inconsciente, entender as
razões dos maus génios e sentimentos de cada um,
as relações entre um passado e um presente, os
motivos das acções, as predilecções ou os seus
opostos.
Duas opiniões sobre o Insight
Uma parte dos autores acredita que é uma das
tarefas da análise devolver ao paciente o Insight
que perdera devido à sua "neurose",
isto é, devido ao desajeitado uso de defesas erguidas
contra as insurgências ou reivindicações do Id.
A outra parte defende que o tratamento psicanalítico
ajuda o paciente a ir mais longe na sua capacidade
de Insight, mais do que as outras pessoas ou as
pessoas que nunca passaram pela terapia psicanalítica:
o que é certo é que esta técnica psicanalítica
traz efectivamente a possibilidade ao paciente
de rever a sua vida interior, até onde nunca tinha
chegado em circunstâncias normais da vida, não
só armazenando como criando Insight.
Para os indivíduos mais novos que passaram por
um tratamento analítico bem sucedido, é de repente
difícil comunicar com os seus "contemporâneos"
que não passaram pela mesma experiência. O adquirir
de "um novo olhar para si próprio" através
da análise fá-los sentirem-se seres isolados até
um certo ponto, uma capacidade que os faz sentir
diferentes de, que os faz sobressair de.
Insight VS Orientação
Uma questão de Tempo
A discrepância entre Insight (processo interior)
e orientação (mundo externo) parece estar intimamente
ligada com o processo de maturação das funções
do Ego nos primeiros 2 anos de vida.
São
estas funções que, muito gradualmente, vão humanizar
este ser quase animalmente nascido, no sentido
de fazer dele um ser social aceitável, no sentido
de o tornarem susceptível às influências do ambiente,
provocam a sua ligação emocional com o mundo material,
em suma, servem a sua adaptação.
Enquanto o equilíbrio entre o poder do Id e as
forças do Ego é ainda precário, existe a possibilidade
de tudo quanto o Ego aprender, ser lançado em
serviço do Id, ajudando-o de facto a atingir a
plena realização de derivativas aleatórias inaceitáveis
para o ambiente, trazendo consigo a ameaça de
um castigo iminente ou perca de amor, e, em vez
de servir a sua adaptação, disturba-a.
Este
é o momento em que as defesas se instalam.
A actividade de defesa, tal como é compreendido
na teoria analítica, inicia-se na sua forma mais
primitiva com a negação e externalização, e avanços
destes à introjecção e projecção, repressão e
formação de reacção, sublimação, etc.; com o seu
objectivo de mitigar as derivativas do Id, isto
é, a necessidade de proteger e edificar a própria
organização do Ego, a sua relação com o ambiente,
as interferências disruptivas das directrizes
e a urgência com as quais lutam em busca de preenchimento.
6. INSIGHT
- EFEITOS AGRADÁVEIS Suas
origens na infância
O termo Insight implica "Eu vejo para dentro
de mim" ou "olho para dentro da minha
mente".
Não existe "olho" algum que veja para
dentro da mente; pois a mente não ocupa espaço;
não existe nenhuma mente "física" para
dentro da qual se possa ver.
O Insight então não passa de uma metáfora tirada
da experiência actual que uma pessoa tem com o
seu ambiente, especificamente a metáfora é extraída
da experiência que uma pessoa tem com a sua mãe.
Nesta experiência a criança percepciona o seu
ser, a sua mãe e a sua interacção com ela como
o "ver para dentro" dele, e saber e
perceber o que ela vê.
Esta
percepção por parte da criança da sua mãe é agora
interiorizada e experienciada pelo indivíduo como
"auto-consciencialização" ou "auto
tornar-se consciente", "auto compreensivo",
e todas estas são formas de Insight.
Este processo mãe-filho incorpora também o elo
entre as palavras a os sentimentos e comportamentos,
e o modo como este "dar nome a" resulta
por vezes num sentimento de sucesso, uma redução
da tensão e da dôr psíquica.
"Pois a criança percepciona-se a si própria
e aos outros, como os seus pais a haverão percepcionado,
e comporta-se perante si própria e os outros,
da mesma forma como esses se terão comportado
com ele".
O estar-se consciente de algo que está dentro
do ser é uma função da consciência materna, é-o
da relação que existe entre a mãe e o seu filho.
Resumindo, o Insight pode ser o culminar na adultez,
de um longo processo de desenvolvimento cognitivo
e afectivo no qual se podem observar fases sequenciais.
As primeiras experiências de "dar nome a"
entre mãe e filho resultam num sentido de congruência,
mutualismo e unidade e oferecem um re-criação
do sentido da omnipotência infantil que acaba
por ser uma só com a mãe.
Estas experiências afectivas que envolvem a interiorização
das respostas afirmativas da mãe têm valor adaptativo
tanto para a realidade interna como externa. Elas
reforçam a visão crítica dos Insights que mais
tarde vêm a acontecer e os que resultam da análise
através da interpretação.
7. INSIGHT
INCONSCIENTE Algumas das suas manifestações
Tanto as neuroses como as psicoses podem ser
designadas ou consideradas como fortalezas erguidas
para proteger o paciente da dor ou desprazer.
Quando
um indivíduo se encontra encarcerado na sua luta
com o mundo externo ao ponto de não conseguir
"levantar-se, dá-se uma adaptação inconsciente,
de uma forma ou de outra a fim de lhe permitir
viver com um mínimo de esforço.
O Insight (ao nível) inconsciente é geralmente
visto onde ou quando o organismo reage a um choque
violento: a morte de alguém querido, perca súbita
de um dos membros, quando se sabe de uma doença
grave, etc.
São situações em que o Ego se revolta com o super
Ego e com a sua irrevogabilidade, situações em
que a fortaleza é edificada para proteger da dor,
mas são também situações em que a verdade sobre
a realidade acaba por se manifestar, de uma maneira
ou de outra, consciente ou inconscientemente.
Um
Insight inconsciente da gravidade da situação.
É possível que em certos estados considerados
"agudos", onde o pânico ou choque aparecem
subitamente como consequência de um processo orgânico
destrutivo, o indivíduo regrida a uma fase da
vida do seu passado onde o ego e o super ego estejam
ainda em desenvolvimento?
Ou será possível que o ego se revolte contra
o super ego e permita que algumas tendências do
Id venham à superfície?
8. RIR É O
MELHOR REMÉDIO As tendências infantis,
orgânicas ou psíquicas posteriores a um choque
súbito poderão por vezes ser consideradas como
reacções a um Insight inconsciente, respostas
de dor ao inevitável que chega de repente.
Ao longo destas ideias, teve-se em mente, algo
que Freud já descobrira sobre a tendência da actividade
psíquica ser a de reduzir e extinguir a tensão
a fim de proteger o indivíduo da dor. Ocasionalmente,
a realidade surge à consciência e é aí que algo
de novo e renovador se manifesta.
Ao longo de alguns casos que tive a oportunidade
de ler sobre o Insight inconsciente, o autor acaba
por se dirigir com preferência ao fenómeno de
"wit", como um fenómeno que se manifesta
em condições mentais "anormais", pois
é um dos poderosos instrumentos através do qual
ou dos quais reduzimos a tensão da realidade inexorável
na vida "normal".
É mais esta última economia (no gasto do sentimento)
que é importante, pois em inúmeros casos estudados
lidamos com um esforço muito grande por parte
do organismo para guardar os sentimentos.
Poupam-se afectos desenvolvidos em situações
e escapa-se à possibilidade de sentimentos profundos
com uma piada.
É o rir sem saber porquê, de diversos casos de
esquizofrenia.
No seu esforço para
explicar a natureza do humor, Freud conclui que
a atitude humorista em relação aos outros é como
o comportamento de um adulto em relação a uma
criança mas numa situação precoce do humor, a
pessoa dirige as suas atitudes humoristas no sentido
da sua própria a fim de se defender a si própria
contra o desprazer.
Ou
seja, trata-se a si própria como uma criança,
jogando ao mesmo tempo o papel do adulto superior
perante uma criança.
Para se compreender isto, não nos podemos esquecer
da relação do ego em relação ao super-ego, tal
como formulado no esquema do aparelho psíquico,
de Freud.
O super-ego, a força mais alta deste aparato,
o detentor da força parental (os princípios éticos
e morais), conserva o ego em marcada dependência
e trata-o como os pais tratam as crianças.
O processo humorístico pode então ser explicado
como uma disposição do acento psíquico do ego
no super ego.
Neste caso o super
ego pode ser tanto o estrito pai tirano como também
a mãe bondosa e consoladora, o que não é novo,
tendo em conta que muitos dos nossos ideais culturais
evidenciam distintos imprintings femininos, a
reverência mostrada à "Mãe" em cultos
e religiões antigas e o culto da "Madonna",
parecem ser outra indicação da projecção exterior
nos homens dos ideais de mãe.
Em
situações de grande stress o indivíduo não só
pode ser confrontado por um pai omnisciente como
por uma mãe protectora.
9. MUDAR É LEMBRAR
Dando especial atenção aos processos de adaptação
à mudança, Pollock (Instituto de Psicanálise de
Chicago) teve a oportunidade de observar o "chegar
ao Insight", a sua utilização e bloqueio
em pessoas de diversas idades, incluindo idosos.
Nos idosos (bem como em crianças e alguns adultos
de meia-idade), pode-se observar temas repetidos
nas narrativas, histórias e reminiscências comunicadas
ao investigador.
Tais podem ser consideradas como manifestações
de mudança senil ou fantasias infundadas. Mesmo
que estas reminiscências não pertençam a acontecimentos
reais, todas têm significado, o que é de grande
importância para a compreensão destas pessoas,
desta idade.
Pollock conclui que tais repetições podem ser
importantes para o indivíduo de diversas maneiras,
isto é, tentativas de adaptação, tentativas relacionais
e comunicacionais, tentativas de auto-terapia.
O recolher de fantasias
do passado expressas nas reminiscências ajudam-nos
a manter um sentido de continuidade entre o passado
e o presente e entre o interior e exterior.
Estas reminiscências contadas passam por cima
do tempo e mantêm um sentido de personalidade
individual, especialmente quando se tem uma consciência
interna de um ego em "decadência", do
intacto e do competente.
É um trabalho onde renomear-e-contar é parte
de um processo de auto-cura.
Quando o investigador psicanalista capta o conteúdo
e o contexto, e se torna consciente dos significados
da consciência nas comunicações,,estes dados adicionais
permitem o Insight no presente e passado mentais
e na vida emocional da pessoa.
De novo, os objectivos das reminiscências podem
ser diversos, variados e complexos.
Descobre-se que a reminiscência é uma forma de
regresso ao passado, especialmente aos períodos
de vida onde tiveram lugar "coisas"
agradáveis.
O Insight ou o Re-insight, pode acontecer relativamente
depressa na redescoberta de conflitos não resolvidos,
o voltar de velhas patentes de defesa e as suas
repetidas manifestações transferenciais.
É através destes Insights que se pode compreender
e trabalhar o passado. Tal como este se manifesta
no presente.
É importante pensar no facto de que muitas pessoas
podem já ter "tido Insight" para aspectos
do seu funcionamento que tiveram que renegar por
diversas razões.
O psicanalista pode facilitar a descoberta do
que foi removido da consciência - ou talvez do
que é irrecuperável do que foi enterrado mas que
teve e continua a ter importância vital. Mas a
descoberta por si só, não é suficiente para o
analisando.
A criatividade
O Insight é a muitos níveis o princípio criativo
da compreensão para o analista das comunicações
do analisando, do estado psicológico do analista,
do encaixe entre o clínico e o teórico, ainda
como um meio de melhor delinear a visão do mundo
próprio e do sistema de valores. "Se o Insight
significa descoberta e inspiração (Kris, 1950,
1956), então a elaboração, o trabalhar "dentro
de" e outras investigações são complementos
necessários para a consolidação do que se pode
obter através deste abrir de portas a novos reinos
da consciência"
Poder-se-á substituir "Insight " por
"criatividade e alcançar um novo nível de
insight, dentro deste.
"A criatividade é a sinapse entre o que
é conhecido e comum e aceite, e o que era desconhecido
até aqui, não comuns e inesperados. É o que está
entre a conjuntura e o inevitável. É o palpite
feito certeza.
Todo o que soluciona problemas e dificuldades
é criativo: a pessoa que estuda uma questão, ou
a causa de um erro aparente, examina alternativas:
considera até soluções absurdas e contraditórias
e aÍ, num prodígio de sorte, transforma o fracasso
em sucesso, a dúvida em certeza, a ignorância
em conhecimento.
O Insight tem este efeito inicialmente, mas o
sono consequente, por fim, será mais profundo,
mais reconfortante, mais revigorante.
10. INSIGHT:
RELAÇÃO E MUDANÇA As mudanças "psíquicas"
irão ocorrer na psyche do paciente como uma consequência
do trabalho de ambos (analista e paciente). Deste
modo os fenómenos da mudança psíquica tornaram-se
um assunto de grande interesse desde o início
da psicanálise. Levantam-se 2 grandes questões
quanto a este tipo de fenómenos:
- quais os critérios que poderão ser utilizados
para avaliar a mudança e como é que esses critérios
de avaliação poderão se relacionar com o conceito
de mudança estrutural?
- as mudanças que o paciente poderá ser capaz
de atingir dever-se-ão ao Insight ou aos efeitos
de uma nova relação?
Creio que serão os dois factores em conjunto,
algo responsáveis por fenómenos deste tipo, bem
como que o efeito dos dois suporta uma relação
única para cada um.
Gera-se assim uma relação dialéctica entre o
Insight e a relação.
Dos diversos complexos processos que parecem
estar envolvidos na mudança, a maior parte pode
ser considerada tanto como efeitos relativos ao
Insight, como aos que se vivem num relacionamento
saudável.
O ponto de vista
tradicional é o de que o conhecimento afectivo
e cognitivo que o paciente adquiriu, o seu Insight
sobre si próprio, permitiu-lhe fazer algo sobre
si próprio, sobre o seu modo de pensar e sentir,
isto é, de mudar.
Um outro ponto de vista alternativo prende-se
com o facto de a relação entre o paciente e o
seu analista poder ser tão importante como o Insight
para a ocorrência de mudanças.
Sobre o ponto de vista da relação, os esforços
reunidos num trabalho em conjunto com o analista
fazem imergir o paciente numa interacção profundamente
importante, numa empatia única - única pois é
improvável para o paciente estar envolvido numa
outra relação na qual o objectivo primordial do
seu parceiro seja ajudá-lo a compreender-se a
si próprio; profundamente importante pelo papel
crucial que a compreensão mútua entre pai e filho
e posteriormente entre analista e e paciente desempenha
no desenvolvimento, nada há de mais vital.
O problema que separa os exponentes destes dois
pontos de vista é o não realizar que uma relação
de compreensão não pode ser mantida sem o devido
Insight sobre a própria dinâmica da relação.
É aqui que surge o ênfase na interpretação da
transferência.
Ao contrário de muitas outras terapias que enfatizam
a necessidade de uma relação empática, ou qualquer
outro tipo de "boa relação", a psicanálise
sublinha a necessidade de compreender todos os
aspectos sobre "o que se passa entre si e
os outros.
Mais
importante ainda: permite aos dois intervenientes
continuarem a trabalhar construtivamente em conjunto,
processo este que segundo Freud estaria destinado
ao fracasso se os 2 parceiros não estivessem empenhados
em compreender e desvendar as forças ocultas nas
suas interacções.
Deste
modo, o Insight é crucial para o processo de mudança
psicanalítica, tanto para o bem estar dos dois
como pelo seu papel em manter uma relação de compreensão.
O Insight é crucial no sentido de uma compreensão
geral de si próprio.
A experiência do expressar raiva sem as normais
consequências desastrosas, por exemplo, ajuda
o paciente a "tornar-se mais confortável"
ou a familiarizar-se com esse seu sentimento.
A experiência de estar com alguém que está constantemente
a tentar compreendê-lo e a acordá-lo para a compreensão.
Finalmente, um tipo particular de Insight, que
é a compreensão da(s) dinâmica(s) dessa nova relação,
ajuda-o a perceber o que se passa com as outras
pessoas e é provavelmente de todos, o tipo mais
importante de Insight.
Resumindo, o analista e o paciente entram num
sistema de crenças partilhadas que faz parte da
regressão na transferência.
O paciente experiência através da interpretação
do analista os efeitos agradáveis que acompanham
a congruência e mutualidade, tal como o fizeram
na unidade mãe-filho.
O analisando faz-se induzir e vai tentando manter
este prazer afectivo de acordo com a sua congruência.
Segue o analista
num novo sistema de crenças que acompanha o novo
conhecimento. Contudo, se as interpretações provarem
não se adaptar ao interior e exterior do paciente
, não conseguirá readquirir um sentido de segurança
e reestabelecer o sentimento de omnipotência.
Se a interpretação não é exacta, é rejeitada e
o analista é experienciado como não gratificante.
11. A CONCEPTUALIZAÇÃO
DO INSIGHT
Tolor (Fairfield University) e Reznikoff (Institute
of Living) - 1960 conceptualizam o Insight como
uma importante variável da personalidade: tendo
em conta as diferenças individuais na capacidade
de compreensão de factores causais subjacentes
ou determinantes de sentimentos, atitudes e comportamentos.
O homem precisa de medidas para se sentir seguro
consigo e com as suas respostas
Também a compreensão dos outros e do self pode
ser "medida"
Teste de Insight (1960)
De entre algumas variáveis profundamente relacionadas
com o Insight temos: Repressão-Sensibilização
(Escala de Byrne - 1961); Controlo Interno-Externo
(Escala de Rotter - 1966); Angústia de Morte (Escala
baseada no trabalho de Livingston e Zimet - 1965).
Outras variáveis: Outros estudos:
Nestes últimos anos tem-se vindo a observar um
aumento de interesse pelo "intrínseco",
distinguido do mais "extrínseco", como
processos mais fáceis para a observação da personalidade,
tentativas de definição de processos como projecção,
empatia, Insight, aceitação do self e dos outros,
percepção dos outros e relação com a percepção
do seu self.
Sears, por exemplo,
demonstrou a existência de diversas relações entre
a projecção e o self-insight; Dymond conduziu
importantes investigações sobre a natureza do
processo empático, Gross, tentou construir e
validar parcialmente uma escala para medir o self-insight,
enquanto Green se interessava sobre as relações
entre o insight e a adaptação ao grupo.
Rogers e os seus alunos exploraram o problema
da auto-percepção, baseando-se no auto-conceito
e a sua relação com outras variáveis - aceitação
dos outros, sentimentos perante os outros, comportamento
defensivo, etc., enquanto Hildegard dedica a sua
atenção ao auto-conceito.
Estes estudos não são mais do que importantes
tentativas para descrever as inter-relações entre
algumas facetas básicas da personalidade.
Algumas conclusões destes estudos indicam que
os indivíduos com maior capacidade de auto-aceitação
são os que não possuem um nível mais elevado de
auto-insight ou percepção realista sobre os outros.
A este respeito considero pertinentes as palavras
de Dymond:
"O insight pode igualmente ser pensado como
um produto do processo empático.
O Insight
sobre o ser parece estar fortemente relacionado
com a capacidade de estarmos fora e olharmos o
self do ponto de vista dos outros.
A fim
de nos vermos a nós próprios tal como os outros
nos vêm, precisamos estruturar a situação do ponto
de vista dos outros e de nos transpormos para
o seu pensamento e sentimento.
O Insight sobre os outros aparece assim igualmente
dependente da capacidade que temos de tomarmos
o papel dos outros sobre nós.
Aqueles que têm uma capacidade de empatia baixa
são pessoas relativamente rígidas e introvertidas,
sujeitas a turbilhões de emocionalidade incontrolada.
Parecem
um pouco incapazes e mal sucedidos ao lidar com
material objectivo e relações interpessoais. São
igualmente pessoas centradas em si próprias, e
exigentes nos seus contactos emocionais ou melhor,
lobos solitários, que se dão bem sem estabelecerem
grandes laços com as outras pessoas.
As
suas relações emocionais primariamente estabelecidas
dentro da família parecem ter sido tão turbulentas
que sentem que não se podem "dar ao luxo"
de investir o seu amor nos outros pois precisam
dele todo para si próprios.
Não
confiam nos outros, encapsulam-se a si próprios
e parecem não estar integrados da melhor maneira
no mundo da realidade.
12. BIBLIOGRAFIA
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