| A disponibilidade parcial
cria um pedido insatisfeito que pode influenciar
qualquer fase posterior do desenvolvimento afectivo
(anal, fálica, edipiana ou mais tarde). Uma
das mais importantes descobertas de Freud foi explicar
as suas repercussões.
A adaptação só
é conseguida na medida em que a afectividade
se alarga.
Na perspectiva deste trabalho,
o exercício dos esquemas cognitivos e suas
progressivas estruturações, pressupõe
uma satisfação que mesmo parcial
dará à criança um sentimento
de (*) "segurança ontológica",
raíz da "confiança em si".(*)
"O Eu Dividido, R.D. Laing.
A própria satisfação
parcial origina a construção do
Outro e do mundo e posteriormente de si próprio.
As estruturas afecto-cognitivas são uma
única e mesma realidade não podendo
ser separadas.
Estas ao estruturarem-se com
os subjacentes esquemas sensório-motores
formam a base necessária das condutas que
estruturam a acção.
As estruturas de actividade serão
a inteligência que é no fundo adaptação.
São as suas estruturações
genéticas na dimensão afectiva que
condicionam a afectividade.
O conceito de "attachement"
exprime bem a necessidade de amor e a exigência
concorrente (pedido). As actividades relativas
ao pedido visam respectivamente a eficácia
e a satisfação, que funcionam num
sistema de reciprocidade.
Entre o nascimento e o 15ºMês,
a busca de satisfação predomina
sobre a eficácia. Por outras palavras,
o essencial da actividade busca satisfação
em condutas eficazes.
As condutas eficazes entre os
dois e os 6/7 anos viram-se para a satisfação
em relação às pessoas e às
coisas.
Depois dos sete anos a eficácia
das actividades procura organizar o mundo, para
a conduta eficaz e para o conhecimento.
A acção (praxis)
visa eficácia e o seu exercício
é também movido por ela própria.
Se os esquemas de actividade
atingem o objectivo, dão ao sujeito um
sentimento de eficácia que os leva a repetir
indefinidamente.
A afectividade como energia,
alimenta a inteligência e em contrapartida
a sua construção por e em actividade
alimenta a afectividade.
POSFÁCIO
AO CAPÍTULO OU PREFÁCIO AO CAPÍTULO
POSTERIOR
A estruturação
equilibrada da génese afecto-cognitiva,
é da maior importância para a emergência
do auto-conceito, indicionando toda a sua evolução
(via looking-glass-self).
A constituição
da "mãe interiorizada" (embrião
do Outro interiorizado), criada na inter-relação
com a mãe, que é necessária
à expressão da necessidade-desejo,
constituirá o imaginário que tomará
forma na relação com o Outro.
A acção ou a "praxis
individual" visam a eficácia e a satisfação,
criando um sentimento de sucesso ou insucesso
que respectivamente refreará a acção
do indivíduo ou levá-lo-á
a repeti-la indefinidamente.
O sentimento da eficácia
da acção, expressar-se-á
na estrutura totalizada do auto-conceito. A praxis
individual originada pela injecção-do-Nada-no-Mundo
(Sartre), que é uma necessidade num campo
total de necessidades, destotaliza o sujeito em
relação ao mundo levando-o a criar
com ele, uma relação única
e não recíproca.
O Homem relacionar-se-á
com a materialidade em e através dos outros
homens, verificando-se nesta relação
o conceito de valor de uso - valor de troca.
Na reciprocidade da relação
ou intercâmbio, tornamos o outro como objecto
e instrumento dos nossos objectivos, conservando-se
no entanto o indivíduo como produto do
seu produto.
A totalização das
acções humanas, sempre mediada pela
matéria, é por um lado totalização,
feita à matéria pelas relações
humanas pela matéria. (Notar a equivalência
com a elaboração afectivo-cognitivo).
A matéria como negação
do homem é no entanto a única unidade
totalizadora da história.
A relação de uma
multiplicidade de sujeitos com o campo material,
onde a praxis emerge pela necessidade, nasce na
relação de cada um deles com o campo
e nas reciprocidades entre eles. Esta reciprocidade
aparece aplicada ao conceito de necessidade-escassez.
As realidades da praxis, realizam
em e por elas mesmas, a interpenetração
de uma multiplicidade de indivíduos, organizados
numa totalidade histórica, produto do trabalho
humano.
DA PRAXIS
INDIVIDUAL AO PRÁTICO-INERTE
"Passa-se a desejar possuir
o fio de Ariadne, para conduzir-nos da praxis
individual às diversas formas de conjuntos
humanos".
"Razão e Violência"
R.D. Laing e D.G. Cooper
A história é uma
totalização, pelo que as praxis
(acções) individuais são
o único factor temporal de totalização,
é preciso descobrir como é que uma
multiplicidade de indivíduos produz também
uma acção (praxis), por intermédio
de uma multiplicidade de totalizações.
É necessário clarificar
a dialéctica pela qual a praxis se torna
uma praxis-processo. O indivíduo durante
a sua vida passa por várias colectividades
(família, escola, trabalho).
Temos então de descobrir
as necessidades de transformação
da praxis, da série ao grupo e as séries.
Falaremos de grupos de grupos: as classes e o
ser classe, referindo as suas estruturas internas
e relações com outras classes.
O objectivo será então,
descobrir como no interior do movimento histórico,
uma multiplicidade de homen vem a ser definida
pela forma dos seus conflitos e como este facto
se projecta no auto-conceito de cada homem, através
de papéis de identificação
com modelos e comparação com os
outros.
PRAXIS INDIVIDUAL COMO
TOTALIZAÇÃO
"...a vida pessoal nos termos
de Sartre como "constituída-constituinte",
como uma unidade sintética do que fazemos
daquilo que somos feitos"
"Razão e Violência"
R.D. Laing e D.G. Cooper
Sartre considera que o homem
é mediado pelas coisas na mesma medida
em que as coisas são mediadas pelo Homem,
homem este relacionado com a materialidade em
e através dos outros homens.
A relação assim
concebida, é um exemplo da espiralidade
do pensamento dialéctico.
Este tipo de análise é
necessária à interpretação
do Homem no "cenário humano",
este raciocínio permite-nos compreender
o meio pelo qual uma pluralidade é constituída
como um total (uma "totalização"
segundo Sarte), seja um todo-sujeito ou um todo-objecto.
Uma totalização
é uma organização unificadora
de uma pluralidade e a humanidade é uma
pluralidade de tais organizações.
A relação totalizante do ser material,
o Homem com o mundo material é definida
por necessidade.
A necessidade destotaliza a totalidade,
criando uma dialéctica da totalização-destotalização-retotalização.
Ela é uma interiorização,
feita pelo homem, necessitado de uma carência
no campo total das satisfações.
A destotalização
é uma "injecção-do-Nada-no-Mundo",
criando com ele, uma relação unívoca
e não recíproca, que se expressa
numa praxis individual.
O campo da praxis individual
(é uma totalidade) é totalizado
como unidade de recursos e meios para satisfação
das necessidades. Este campo é uma pluralidade
inerte de recursos e meios, se o virmos como campo
instrumental.
Na praxis é que se encontrarão
as zonas ou objectos privilegiados nessa totalidade.
O corpo encontra-se sempre necessitado: necessidade
como função e praxis.
RELAÇÕES HUMANAS
COMO MEDIAÇÃO ENTRE DIFERENTES SECTORES
DA MATERIALIDADE
O Homem está sempre relacionado
com a matéria em e através dos outros
homens. As relações interpessoais
são intermediárias do campo material,
mediadas em e através do campo material
são condicionadas por factores externos.
A mateialidade é inerte
(total das praxis possíveis) e é
circulante pois "foge-nos" em virtude
da multiplicidade de outras unicidades ou totalizações,
feitas por outrem e que complementem ou não
a nossa.
A totalidade das minhas praxis
possíveis é destotalizada por ser
campo de uma totalização da praxis
de outrem, na qual somos apenas parte da totalização
dele.
Nesta dialéctica a materialidade
irá transformar-se num veículo de
significado.
Por outras palavras, o grau em
que as acções das outras pessoas
confirma as nossas expectativas sobre elas e a
medida em que o nosso comportamento satisfaz as
expectativas que os outros têm acerca de
nós, depende da capacidade e disposição
para nos comportar-mos duma maneira regular e
previsível (com a consequente introjecção
do compromisso ou violência).
Na reciprocidade cada um pode
fazer dos fins do outro um veículo para
si, da mesma maneira que o outro para si um veículo
dos nossos fins.
A reciprocidade terá o
carácter de intercâmbio, que efectuado
no campo da materialidade, se estabelece pela
relação do conceito de valor de
uso - valor de troca.
Portanto em reciprocidade somos do mesmo tempo,
objecto e instrumento dos fins dos outro, pelo
facto de o tornarmos objecto e instrumento das
nossas finalidades, conservando-se no entanto
cada um como produto do seu produto.
Neste intercâmbio, está
a totalização do auto-conceito e
a unidade organizadora da multiplicidade, o looking
-glass- self. Convirá sempre frisar o campo
de materialidade onde se efectua o intercâmbio
sempre condicionado pela totalidade da história.
A unificação encontra-se
no reconhecimento mútuo, como dois agentes,
cada qual integrando todo o Universo.
No entanto, a unificação
que é constituída sobre uma relação
de materialidade, a classe dos objectos (classificação)
e o seu uso (seriação), transforma
a pessoa e determina o seu relacionamento.
"O Outro (como terceiro)
é o mediador não recíproco
da unificação da díade".
"Razão e Violência"
(Já citada)
A totalização das
acções humanas sempre mediada pela
matéria, é totalização
feita à matéria pelas relações
humanas por um lado e por outro lado totalização
feita às relações humanas
pela matéria.
A MATÉRIA COMO TOTALIDADE
TOTALIZADA E UMA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA DE
NECESSIDADE
"Eu existo apenas através daqueles
que nada são além do seu ser por
meu intermédio".
Jean Genet
(citado em "Razão e Violência")
"A dialéctica é
a lei da totalização. Organizações
colectivas, sociedades, história.
São realidades impostas ou que se impõem
ao indivíduo"
"Razão e Violência
(já citada)
A história humana, é
totalização (no) presente do passado
e orientação do futuro, pois os
homens fazem a história baseados em condições
anteriores. A ideia torna-se uma coisa significada
por coisas e não um acto significante.
A matéria, como negação
do Homem é no entanto a única realidade
totalizadora da história.
A relação de uma
multiplicidade de sujeitos com o campo onde a
praxis emerge pela necessidade (nascida nas relações
de cada um com o campo e nas reciprocidades entre
os sujeitos) e no entanto a relação
fundamental da nossa história e a reciprocidade
da necessidade-escassez (valor de uso-valor de
troca).
A dialéctica da necessidade-escassez é
o factor que possibilita a explicação
da história. O próprio indivíduo
é simultaneamente redundante e escasso
quando inserido dentro de um grupo.
Condicionado pela matéria
o homem não age só pela necessidade,
mas também reage às exigências
do objecto (coisa) sobre ele. Estas exigências
influenciam também a criação
do grupo.
A contradição dos
interesses de classe (sentido marxista) revela
a tentativa individual de encontrar o laço
original com a matéria.
A acção para satisfazer
a necessidade é restringida pelo Outro,
criando uma alteração ao passar
da "minha-acção-para-mim"
para "minha-acção-para-si".
A "alteridade" será
o aspecto estrutural da transição
de "self-para-o-self" a "outro-para-o-outro".
O movimento será a alteração,
a relação de materialidade subjacente
é a objectivação da praxis
materializada.
O homem é portanto encontrado
na dialéctica criada entre objectivações
(apropriações da matéria)
da praxis material e as suas alterações
como "outro-para-o-outro""(*)(*)
ver relação do sujeito cognitivo
com a apropriação do campo da materialidade
via necessidade/(desejo enquanto afectividade).
Encontramos o espelho da dialéctica
do sujeito afectivo-cognitivo de J.M. Dolle nos
conceitos de alteridade e objectivação.
Partimos para a História
através da aproximação do
homem ao primeiro objecto e da emergência
das estruturas lógicas do sujeito cognitivo.
Do animal rodeado pela Natureza,
surge a actividade existencial do Sapiens, produto
de interacção de quatro polos sistémicos:*
1 - O Sistema Genético (código
genético, genótipo)
2 - O Cérebro (epicentro fenotípico)
3 - O Sistema Sócio-Cultural (sistema
fenomenal generativo)
4 - O Ecosistema (enquanto carácter local
(núcleo ecológico) e carácter
global (ambiente)).
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