| I
- INTRODUÇÃO à PSICOLOGIA AMBIENTAL
I.1 - O que é a Psicologia Ambiental?
I.2 - Métodos de Investigação da Psic.
Ambiental
I.3 - Origens da Psic. Ambiental
II
- COGNIÇÃO AMBIENTAL
II.1 - Representação Cognitiva do
espaço
II.2 - A contribuição dos Geógrafos
e Planeadores
II.3 - Os trabalhos de K. LYNCH
II.4 - As técnicas: - Mapas Cognitivos
- Estimativas de Distância
III
- COGNIÇÃO AMBIENTAL
III.1 - Tratamento da Informação
III.2 - Schematas de Acção
III.3 - Heurísticas Cognitivas
III.4 - Categorização e Cognição Ambiental
III.5 - Diferenças entre Grupos
IV
- PERCEPÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS
IV.1 - Heurísticas Cognitivas
IV.2 - Personalidade e Motivação
IV.3 - Pertenças Grupais
CONCEITOS
HOGG e VAUGHAN, 1995
"A Psicologia Ambiental
é o estudo da interacção entre o ambiente
físico e o comportamento humano".
STOKOLS e BARON, 1991
"A Psicologia Ambiental
é o estudo do comportamento humano e bem
estar em relação ao ambiente sociofísico".
PROSHANSKY, 1990
"A Psicologia Ambiental
é a disciplina que está preocupada com as
interacções e relações entre as pessoas
e os ambientes".
Ambiente / Homem
- Social
- Físico -
Natural
- Construído (escola, casa, empresa)
A Psic. Ambiental não é
uma área isolada dentro da Psicologia.
(Muitos dizem que é uma
extensão/adaptação da Psic. Social).
Também tem
influência de outras áreas: - Geografia
- Psicologia Cognitiva
- Arquitectura
É uma área Interdisciplinar.
Pruitt Igoe
1972, Housing Project (estrutura
dos anos 50 que foi demolida: violência,
solidão, degradação, assaltos).
Anos 40
KURT LEWIN
(Nos últimos anos estudou
a função mais física do ambiente).
Espaço Ambiente
B = f (P,E)
B = Behaviour
f = Function
P = Person
E = Environment
BARKER e WRIGHT, 1947
Autores da Psicologia Ecológica,
que está nas origens daquilo a que posteriormente
se chamou Biologia Ambiental.
Behavior Setting
Midwest Field Station
Estudos com crianças: extrapolação
de que a cada tipo de ambiente corresponderia
ou conduzia a determinadas formas de comportamento.
(Padrões de comportamento
relativos a determinados ambientes).
MÉTODOS e TÉCNICAS DE INVESTIGAÇÃO da PSICOLOGIA
AMBIENTAL
Métodos
*MÉTODO EXPERIMENTAL
Relação de causa-efeito,
manipulação e controle de variáveis.
* "Estudos de Crowding" (excessos populacionais)
- fenómenos de violência.
* "Estudos de Design Experimental": observação antes e depois de determinada intervenção.
Time Series.
* Cruzamento de variáveis - correlação de variáveis:
- Correlação positiva
- Correlação negativa
Técnicas
*Questionários
*Entrevistas - Respostas
+/- abertas e +/- fechadas:
*Inquéritos
*PEQI (Perceived of Environmental Quocient Index):
Medição quantitativa da
apreciação que determinadas pessoas fazem
de determinado ambiente.
Outro Método
Estudos já existentes sobre
saúde pública, dados estatísticos.
(Técnicas de Observação:
problemas éticos da investigação)
Aula 1
- Social Psychology: An
introduction - Cap. XV
- "The Environment
Context of Behavior"
Psic. Ambiental
27/03/98
COGNIÇÃO AMBIENTAL
Percepção Ambiental: a
forma como percepcionamos o espaço, o ambiente.
STOKOLS, 1978
Estudo dos processos através
dos quais nós codificamos, armazenamos e
descodificamos a informação acerca da localização
e atributos do meio espacial.
A forma como tratamos a
informação face ao meio ambiente.
KANNEMAM e TVERSKY, 1982
Definiram uma maneira de
encaixar as diferentes teorias (Análise
Positiva e Negativa), esta teoria foi criada
para ser aplicada não primeiramente à Psic.
Ambiental.
Análise
- Negativa - Mapa cognitivo
- Positiva - Cognitive maping
- Geografia
- Arquitectura
- Psicologia - MILNER
(Psic. Social)
O que é que há no meio
que faz com que a representação mental das
pessoas (desenhos de mapas, ruas, etc.)
não corresponda à realidade?!
Análise Negativa = Será devido à complexidade
do meio
Análise Positiva = Não olhar para uma representação
mental e não olhar simplesmente para um
só erro - ao contrário, mesmo que o resultado
não seja correcto, quais os processos que
fazem com que não representemos as coisas
tal como elas são?. Ver os erros de uma
forma positiva. Os processos que estão na
base dessas ideias, representações mentais.
HEURÍSTICAS
- Processo simples de tratamento
da informação que tem por objectivo reduzir
o esforço mental. É um processo adaptativo.
A forma que as pessoas arranjam para se
relacionar e para lidar com o espaço que
as rodeia.
ANÁLISE NEGATIVA
BOULDING, 1956
Nós temos uma imagem do
mundo na nossa cabeça, e utilizamo-la para
nos orientarmos.
Tem 2 grandes funções:
1 - Onde estão as coisas?
= Localização
2 - Como chegar até lá?
= Orientação
Significa que a representação
está ligada à orientação. Esta imagem funcionará
como um mapa. Daí a ideia de MAPA COGNITIVO.
(Metáfora: mapa na cabeça - Mapa Mind).
Pressupõe uma capacidade
euclidiana para organizarmos e representarmos
as coisas. Senão, isso será devido à complexidade
do meio.
K. LYNCH, 1960 (discípulo de Boulding)
Utilizou a mesma teoria
e aquilo que lhe interessava era saber quais
as características do meio que facilitavam
ou dificultavam a representação do meio.
A construção das imagens mentais do mapa
cognitivo. (era um planeador urbano).
Introduz a noção de LEGIBILIDADE
ou IMAGINABILIDADE
Legibilidade: é o grau de imagem clara
que a cidade promove de si própria. É a
aparente clareza da paisagem citadina.
Imaginabilidade: àquela qualidade de um
objecto físico que lhe dá uma grande probabilidade
de evocar uma imagem forte num dado observador.
Utilizamos determinados
índices, características do meio urbano
para criarmos essas imagens mentais, o que
significa que podemos dar a legibilidade
de uma certa cidade através da análise dessa
representação e que são:
- Vias (onde as pessoas se movem)
- Limites (barreiras)
- Zonas (extensões bidimensionais com algo em comum)
- Cruzamentos (locais estratégicos)
- Marcos (objectos físicos distintos)
Extensão bidimensional
Mapa sequencial
- Vias
- Caminhos
Mapa configuracional
- Zonas
Uma técnica muito utilizada
é a ESTIMATIVA de DISTÂNCIAS
T. LEE
- Distância real
- Sobrestima (tendência
para sobrestimar do centro para fora). Esta
ideia foi refutada: autores estudaram isso
e viram que nem sempre acontece. Temos tendência
a sobrestimar quando o centro tem uma valência
positiva e a subestimar quando tem uma valência
negativa.
- Subestima (tende a diminuir).
Explicação dos autores
para a nossa distorção:
Distorcemos porquê?
1 - Porque os comportamentos
são limitados.
2 - Porque entramos em
"overload": existe um isomorfismo
entre aquilo que se produz como mapa cognitivo
e o modo como foi adquirido.
Psic. Ambiental
03/04/98
ANÁLISE POSITIVA
Conhecimento
do Espaço - Parcelar (não conhecemos
tudo)
- Heurístico (simplificado)
- Orientado (faz-se com 1 determinado
objectivo)
SIEGEL e WHITE, 1975
Existe uma teoria sequencial
na evolução do conhecimento do espaço.
3 Tipos de Conhecimento
em sequência:
1º - Os Marcos ("landmarks")
(sem conhecimento da localização
2º - Os Caminhos ("routknowledge")
3º - As Áreas; Zonas ("survey
knowledge")
Esta teoria foi refutada
posteriormente
Fez-se uma experiência
com enfermeiras: as mais antigas e as mais
recentes (as mais recentes, ao contrário
do que se esperava, foram as que descreveram
as partes do Hospital com maior qualidade.
HEURÍSTICAS
BARBARA TVERSKY (Tversky e Kanneman)
Processos simples de tratamento
da informação com a função de economia cognitiva
ou reduzir o esforço mental. Mecanismos
globais de forma a simplificar o conhecimento
do meio.
2 Heurísticas:
- Alinhamento
(Tendência a alinhar os pontos em linha
recta)
- Rotação
(Tendência para alinhar os dif: pontos de
acordo com os dif. pontos cardeais).
- Parte e Todo (Hierarquização espacial)
Estas heurísticas estão
na base dos SCHEMATAS de ACÇÃO:
- Uma estrutura de conhecimento
organizado ligado ao movimento contendo
informação declarativa (descrição verbal,
por ex.: informação sobre os mapas no turismo)
e procedural (à medida que vamos andando
vamos aprendendo).
Ambos servem para nos orientarmos.
As heurísticas são o processo mais importante
para organizarmos este conhecimento.
A identidade grupal ou
social pode influenciar a definição do espaço.
Tem a ver com um processo de categorização.
Esta categorização social pode também posteriormente
influenciar a categorização espacial.
Aulas 2 e 3
LYNCH - Imagem da Cidade
- Cap. I e III
MILGRAM + "Psychological
Maps of Paris"
Environmental Psychology,
People and their settings
PROSHANSKY
MILGRAM: "Psychological
Map of New York"
TVERSKY: "Distortions
in Memory for Maps" - Cognitive Psycholog
Psic: Ambiental
24/04/98
Freq. até "Representação
de risco", aula de hoje.
PERCEPÇÃO de RISCOS
Acidentes/Desastres/Perigos/Hazards
- Naturais
- Tecnológicos
2 Tipos/Categorias de Risco:
- Intenso
- intensive
- Impregnante
- pervasive
o Stress está muito associado
à percepção de risco: ansiedade, apatia,
depressão, afastamento, stress, psicossomatização.
Fenómeno NIMBY (Not In
My Back Yard)
Opinião pública vista como
irracional e emocional.
SLOVIC, FISCHHOOFF e LICHTENSTEIN, 1980
79, Three Miles Island
(Acidente mais pequeno que Chernobyl)
Estudos sobre o tipo de
percepção de riscos por parte das pessoas.
A forma como as pessoas
perceberam o risco, as estratégias que desenvolveram
para viverem lá.
DEFINIÇÃO de RISCO
Probabilidade de ocorrência
de um acontecimento pesado pela sua gravidade.
A análise de risco inclui
análises subjectivas (não é tão objectiva
quanto isso).
Estes 3 autores comprovaram/estudaram:
- A percepção do risco
é multidimensional
- É pluridimensional: diversos
factores interagem para uma percepção de
risco.
3 Dimensões da percepção do risco
(A estrutura do nosso pensamento
sobre os riscos que corremos pode ser descrita
em 3 dimensões)
1 - Grau de gravidade de risco
2 - O grau de familiaridade com a ameaça
3 - Extensão da exposição (quanto menos
voluntária é a exposição ao risco maior
é a sua percepção).
Tendemos a associar mais risco a um perigo que é
visto como:
- Involuntário
- Incontrolável
- Potencialmente catastrófico
- Criado pela tecnologia
Aula 4
Luísa LIMA - "Viver
com o risco"
ORIARTEN - "Reading
in Environmental Psychology"
Perceiving Environmental
Risks
Psic. Ambiental
29/04/98
Resumo da aula anterior
Tendemos a adaptar-nos
aos riscos que corremos.
S. TAYLOR, 1983
Teoria da Adaptação Cognitiva: tendemos a seguir determinados
processos cognitivos como adaptação a acontecimentos
ameaçadores.
O processo de adaptação
tem 3 actuações:
- Procura de significado
(procurar causas, tem a ver com processos
de atribuição causal, os riscos do acontecimento,
tem por base ilusões).
- Esforço para recuperar
o domínio da situação e da própria vida
(enviezamento cognitivo que nos leva a acreditar
que temos controle na situação)
- Recuperação
da auto-estima: (procura de encontrar
benefícios na situação)
(comparando-se com outras pessoas
q/ estão em pior situação).
A percepção de risco tende
a ser vista como algo de emocional e irracional.
- É previsível
- Tende a ser consistente
- Tende a ser medida
Os técnicos também utilizam
tendências de subjectividade na percepção
dos riscos. Dimensão pluridimensional.
Muitas das análises de
risco são feitas tendo por base acontecimentos
anteriores
- Métodos de Simulação
- Métodos de Modelação
* Tendência a generalizar
acontecimentos quando a amostra é pequena.
* Comparar os acontecimentos
com os anteriores cuja manifestação é idêntica.
* Quanto mais os efeitos
são complexos e envolvem riscos do ecosistema,
mais difícil se torna a percepção do risco.
- Variáveis de identidade
local
- Produção agrícola (são
duas variáveis que os técnicos geralmente
não medem)
A percepção do risco pode
estar associada a valores.
- Quanto mais conhecida,
- Efeitos mais imediatos
e
- O risco mais antigo,
há menor percepção da gravidade do risco.
Não se tende a defender
a participação do público nem a envolver
a população no processo de tomada de decisão.
Riscos = Expectativas.
(Fim matéria para 1ª Frequência)
P. Ambiental
15.05.98
(Ínicio matéria para 2ª
Frequência)
ALLTMAN, 1975
e
LYMAN & SCOTT, 1970: introdução do conceito
de TERRITORIALIDADE
HALL, 1966
e
SOMMER, 1969: introdução do conceito
de ESPAÇO PESSOAL
CAUTER?: introdução do conceito de PRIVACIDADE.
ESPAÇO:
- Condicionante do comportamento/comportamento
condicionado pelo espaço.
- Comunicação de algo tão
simples como o desejo que temos de nos aproximarmos
de alguém.
Indicações que podem ser
utilizadas na construção do ambiente, arquitectura,
ergonomia.
Teoria Proxémica: estudo científico do
comportamento espacial.
Dimensão Oculta
4 Tipos de Distâncias:
- Íntima: nós, à nossa
volta, +/- 40cm
- Pessoal: 40cm - 1,25cm
(esfera protectora/semelhante definição
espaço pessoal de Sommer)
- Social: 1,25cm - 1,60cm
- Pública: 1,60cm - ------->
ESPAÇO PESSOAL para SOMMER
(semelhante à Distância
Pessoal)
"Área em redor do
nosso corpo na qual os outros não podem
estar sem causar desconforto".
A "bolha" não
é fixa, pode variar conforme a situação
Características/Variáveis que influenciam:
Idade: crianças com comportamento muito
diferente do adulto.
Sexo: as mulheres tendem a "defender
um espaço pessoal mais pequeno.
Cultura: Culturas mediterrâneas = maior contacto
Culturas Norte Europa = menor
contacto
Lugar: Interiores = maior contacto
Exteriores = menor contacto
Ruído: maior ruído = maior contacto
menor ruído = menor contacto
Luz: menor luz = maior contacto
TERRITÓRIO
Normalmente têm uma localização
geográfica fixa e precisa, ao contrário
do Espaço Pessoal que muda.
Utilizamos os territórios
para termos controle sobre ele. A forma
como utilizamos os territórios tem a ver
com a forma como queremos que seja utilizado.
Forma de obter controle sobre os nossos
espaços.
SCOTT e LYMAN
Classificação em termos
de de Tipo de Território
- Território móvel - Body Territory
- Território público - Public Territory
- Território do lar/da interacção- Home Territory
ALTMAN
- Territórios: Primários
(sobre os quais temos total controle)
Secundários (menos centrais/importantes/exclusivos
na nossa vida)
Públicos (mais acessíveis a um grupo
maior de pessoas)
* Espaço Privado
* Espaço Semi-Privado
-------------------------------
(casa, jardim, passeio, rua)
* Espaço Semi Público
* Espaço Público
(Permite-nos ter mais controle,
em termos de interacção social, mais para
o comportamento social.)
O. NEWMAN, 1972
Defensible Space
DEFESA DO TERRITÓRIO
CAUTER, 1975
PRIVACIDADE
O comportamento no espaço
é uma questão de privacidade. A privacidade
é um factor importante na nossa interacção
com o espaço.
Privacidade = balanço entre
informação que temos e que damos.
A forma como conseguimos
privacidade tem a ver com o contacto físico,
ou o que falamos de nós próprios.
Privacidade
- Factores: - Sociais
- Físicos
- Externos: Layout
Portas
Janelas
Ruído
- Internos:
Porta quarto (fechada)
O q/ se passa entre paredes
P. Ambiental
22.05.98
BAUM e DAVIS, 1980
Conceito de CROWDING
CARR, FRANCIS, RIVLIN e STONE, 1992
Conceito de ESPAÇO PÚBLICO
CROWDING
Sentimento, percepção (não
desejada) de alta densidade = sentimento
negativo
Percepção provoca desconforto,
níveis elevados de tensão e ansiedade, aumenta
a pressão sanguínea, apatia, afastamento
e abandono, que podem, em última instância,
levar à morte.
Experiência de Baum e Davis
Experiência de campo e longitudinal (3 meses) numa
residência universitária em que fizeram
uma intervenção. Procuraram estudar qual
o efeito das características arquitectónicas
do espaço interior no Crowding. Características
na utilização do espaço, no desenvolvimento
de grupos, no controle das interacções (percepção
de controle das interacções) e na privacidade.
A experiência consistia em: no meio de um corredor
longo puseram portinhas que separavam áreas
de 20 estudantes e compararam com mais 2
corredores: 1 igual mas sem portinhas e
1 mais longo sem portinhas.
Utilizaram:
- Questionários
- Observação natural
- Estudos em laboratório
O estudo demorou 3 meses, os questionários e a observação
eram aplicados ao longo do tempo.
o questionário tinha como objecto questões relativa
a Crowding, desenvolvimento de grupos, vida
e ambiente da residência universitária,
ocupação do tempo.
A observação (observadores "disfarçados"
no fim dos corredores) tinha como objecto
questões como o nº de quartos abetos/fechados,
tipo de ocorrências, encontros sociais,
grupos (2 ou mais pessoas).
A experiência de laboratório pretendia estudar qual
o efeito de generalização e persistência
dos efeitos da exposição às condições ambientais.
As pessoas
que viviam nas camaratas eram convidadas
a participar sobre um estudo sobre a formação
de impressões. Observação: onde as pessoas
se sentavam; qual a interacção que tinham
com as pessoas ao pé de quem se sentavam.
Posteriormente, iam para uma outra sala
resolver problemas tipo quebra-cabeças.
Conclusões da observação:
- As pessoas do corredor mais longo faziam menos
tentativas para resolverem problemas, tinham
menos vontade para resolverem as questões.
- Os observadores que se colocavam nos corredores,
verificaram que as pessoas do corredor mais
longo interagiam menos e fechavam mais as
portas. Tinham menos percepção de controle
das interacções, classificavam a vida na
residência como mais agitada e menos controlável,
evidenciavam maior capacidade de controle
do exterior e da sua vida pessoal.
- Em relação ao corredor com as portinhas, havia
maior formação de grupos, as pessoas classificavam
a vida na residência como mais agradável,
sentiam maior controle da sua vida dentro
e fora. Evidenciavam menos Crowding.
Conclusões genéricas
- As características do espaço podem servir como
mediadoras do efeito de alta densidade.
Conclusões de CARR, FRANCIS, RIVLIN e STONE, 1992
ESPAÇO PÚBLICO
São espaços abertos, publicamente
acessíveis onde as pessoas se deslocam para
desenvolverem actividades, individuais ou
em grupo.
Podem aparecer de forma:
natural:
(já existe, mas q/ por apropriação se tornam
públicos, ex.: bosque)
planeada:
(arquitectos)
(planeadores): (praças, jardins,
parques, praias, centros comerciais).
Existem 3 grandes dimensões humanas do Espaço
Público
- Necessidades
- Direitos
- Significados
Necessidades (Responsive Spaces)
(necessidades humanas)
- Conforto; limpeza e acolhimento
- Descontracção, relaxe
- Necessidades de descoberta
- Envolvimento activo (exercício)
ou passivo (contemplação)
Direitos (Democratic Spaces)
(defesa dos direitos de
quem os utiliza)
- Acessíveis
- Proporcionam liberdade
- Sentimento de pertença
- Sentimento de controle,
poder sobre o q/ desenvolvemos, controle
esse limitado pelos direitos dos outros)
Significados (Meaningfull Space)
- Tem tanto mais esta dimensão,
quanto mais proporcionar o desenvolvimento
de ligações fortes.
G. BREAKWELL, 1986/1992
IDENTIDADE LOCAL (Place Identity) - PROSHANSKY,
Inicio anos 70
Dizem que algo da nossa
identidade tem a ver com o lugar, a identidade
local.
A forma como nos ligamos
com e a lugar, a forma como contribui para
a (formação da) nossa identidade. O que
temos a ver com o lugar lugar onde vivemos.
2 Dimensões:
- Estabilidade
- Continuidade
Os lugares dão estabilidade e continuidade à nossa
identidade: são determinantes da nossa identidade.
Necessidade de poder prever o que vai acontecer
o que vai acontecer.
BREAKWELL diz que a identidade social e o lugar
não são distintas e separar.
Muitas das nossas memórias
têm a ver com o local onde as coisas aconteceram.
Ideias, memórias, preferências. Ligações
aos cenários onde ocorrem as situações,
onde se desenvolvem. Valores e atitudes
ligadas aos locais onde se vão desenvolvendo.
Os cenários podem ter uma
componente física (aldeia) e social
(comunidade que neles habita (ex.: Casal
Ventoso).
PROCESSO IDENTITÁRIO
Ela diz que
não é só a identidade local que forma a
nossa auto-estima (tal como os outros ?
disseram): diz que a nossa identidade não
é só formada por isso, mas que é formada
(para além da auto-estima) por mais 3 princípios:
- Continuidade
- Distintividade
- Auto-eficácia e diz que
as coisas não estão separadas. A forma
como estamos ligados a um lugar (Place
attachement) contribui para o nosso
processo identitário, tal como os grupos
aos quais pertencemos.
Continuidade
Precisamos de sentir continuidade,
entre o passado e o futuro, do nosso auto-conceito.
Tem também a ver com a
noção de auto-controle, a percepção de controle.
Distintividade
Necessidade de sentirmos
que somos singulares e de nos distinguirmos
uns dos outros. Se nos ligamos a lugares
é por que nos identificamos com eles, logo,
tem a ver com o sentirmos sermos distintos.
Auto-eficácia
O facto de precisarmos
de vivermos em sítios nos quais possamos
desenvolver as nossas actividades. Quanto
mais gerível for o ambiente mais auto eficaz
é.
Auto-estima
Avaliações positivas que
fazemos aos outros e aos lugares, ou seja,
as características, as qualidades de um
lugar também têm a ver com a auto-estima.
(Ler artº. de Breakwell para enquadrar teoricamente
a Teoria da Identidade)
TWIGGER-ROSS e UZZEL, 1990
O facto de estarmos ligados
a um lugar até que ponto contribui para
o nosso processo de identidade.
Place attachement elevado
significa que o lugar era muito importante
para a nossa identidade.
Quanto mais ligada uma
pessoa estiver a um lugar, mais esse lugar
é importante para a pessoa se sentir distinta
das outras, para a sua identidade.
Trabalho
TEMAS para Projecto de Investigação
1 - Utilização de um Jardim
Público (ex. Campo Grande).
2 - Satisfação dos visitantes
de um parque natural.
3 - Condições ambientais
e efeitos das salas de aula da Universidade
Lusófona.
4 - Efeitos da proximidade
do aeroporto (efeito do ruído ou percepção
de risco).
5 - Identidade local dos
habitantes das zonas adjacentes à EXPO.
6 - Comportamento induzido
pelo Lay-Out de uma biblioteca (privacidade,
interacção)
7 - Utilização da zona
ribeirinha de Lisboa (novos arranjos de
Santos, Belém e Algés).
8 - Percepção de risco
da instalação da incineradora municipal.
9 - Efeitos de um Lay-Out
de escritório na satisfação e desempenho.
10 - Presença do Rio Tejo:
efeitos na categorização e estimativa de
distância.
(Freq. Apropriação do Espaço)
PSICOLOGIA AMBIENTAL
(Resumo do Cap. XV: Social Psychology - An Introduction)
A Psicologia Ambiental é o estudo da interacção/relação
entre o comportamento humano e bem estar
e o ambiente sociofísico.
Os Psicólogos ambientais defendem que as pessoas
interagem com o seu ambiente através de
quatro modos distintos: interpretação,
avaliação, operação e resposta.
As pessoas sentem os ambientes
que as rodeiam, interpretando:
uma das estratégias que usam para as ajudar
é o desenvolvimento de Mapas Cognitivos
- descrições mentais do ambiente e que lhes
permitem ter uma imagem e recordarem-se
desse ambiente no que respeita às suas características
importantes e mais relevantes. Os Mapas
Cognitivos são influenciados quer pela natureza
física do espaço, quer pelos seus factores
sociais, ou de personalidade.
Para sobreviver e vivermos
num mundo complexo, as pessoas devem não
só ser capazes de interpretar os ambientes
presentes e futuros, como devem também avaliar
estas situações e agirem em consonância.
Para compreendermos a forma como as pessoas
avaliam os ambientes que as rodeiam, os
psicólogos ambientais utilizam as atitudes
ambientais das pessoas e utilizam esta medida
para desenharem e alterarem os ambientes
(settings), no sentido de melhorarem a relação
entre o homem e o ambiente.
As pessoas lançam-se em
diversas actividades, dia-a-dia, actividades
essas que modificam fisicamente o ambiente
à sua volta. Estes comportamentos são conhecidos
como operações no meio ambiente.
Algumas destas operações têm efeitos positivos,
mas outras há de efeitos negativos. Os psicólogos
ambientais acreditam que a melhor forma
de mudarem os comportamentos protectores
do ambiente é através do reforço.
As pessoas também respondem
aos ambientes que as rodeiam. O ambiente
oferece tanto oportunidades como barreiras.
As oportunidades incluem as relações de
amizade e sociais. As barreiras incluem
o stress e um sentido de impotência adquirida
que podem ocorrer quando as pessoas sentem
que não conseguem controlar o seu meio ambiente.
Investigações feitas na
área do comportamento espacial do homem,
ou "proxemics" centram-se
em 2 conceitos básicos e que influem em
grande parte no comportamento social: "Espaço
Pessoal", refere-se à área
que envolve o corpo humano e é utilizado
pelo homem para auto protecção e para a
sua comunicação com os outros; o conceito
de "Territorialidade"
refere-se ao comportamento através do qual
o homem reivindica uma área particular e
a defende contra membros da mesma espécie.
Um exemplo de comportamento de territorialidade
são os "gangs" e os actos de vandalismo,
especialmente em zonas não marcadas territorialmente.
Muitos dos conceitos da
Psicologia Ambiental são necessários à compreensão
do fenómeno de "Crowding",
que não é mais do que a percepção de pouco
espaço, ou o sentimento de que existem à
nossa volta mais pessoas do que aquelas
que se deseja. O fenómeno de "crowding"
pode resultar de um sentimento de falta
de controle de um determinado ambiente e
tem uma série de consequências nefastas
para a saúde. |