| |
por
Sara Aleixo |
Lisboa,
22 de Julho de 1998 |
 |
 |
 |
| O
ESTADO NASCENTE |
| ÍNDICE |
| A
- ENQUADRAMENTO TEÓRICO |
B
- APLICAÇÃO PRÁTICA |
C
- BIBLIOGRAFIA |
| Estado Nascente
Estado Nascente Hoje
A Ilha- Teatro em Estado Nascente
O Actor e a Encenação em Estado
Nascente
Aldous Huxley e o Estado Nascente
Outras Obras do Autor
Citações de Apoio à Compreensão
Conceptual do Trabalho |
A ILHA - Adaptação e Dramatização |
Obras Consultadas
Consultas na Internet |
A - ENQUADRAMENTO TEÓRICO
O Estado Nascente
Na vida quotidiana, o indivíduo
e a colectividade agem segundo as normas
pré-estabelecidas pela sociedade,
sem as questionarem. Há, no entanto, momentos
em que essa estrutura é posta em causa,
provocando uma descontinuidade social.
O estado nascente, segundo
Francesco Alberoni, é um processo que se
manifesta sempre que a sociedade humana
se une na criação de novas estruturas de
organização para a vida humana, numa fase
de evolução desta última. O Homem começa
por sentir que as plataformas sociais em
que esteve inserido estão ultrapassadas
em relação à sua actual capacidade de pensar,
sentir e organizar toda a sua vida individual
e social.
Este é um processo que
tem sempre início no sujeito individual,
que começa por experimentar o sentimento
do novo como uma descoberta, uma conversão,
uma mudança interior que se manifesta como
metanoia, uma revelação, que provoca uma
"brusca e profunda renovação da própria
maneira de ser e de pensar" [1]
Esta nova percepção da
realidade surge sob a forma de crises, de
descontinuidade social, de verdadeira morte-renascimento
que, após ter sido interiorizada pelo indivíduo,
é partilhada com o outro, em forma de díade,
como se passa no caso de enamoramento, ou
na partilha com um grupo, como o grupo que
se forma em torno de um chefe religioso
ou político.
É desta forma, através
da partilha desse sentimento, que se dá
início ao movimento que criará a edificação
de estruturas sociais, tendo em conta uma
nova forma de vida em relação aos problemas
específicos do momento, gerando assim a
nova instituição.
Assim sendo, o estado nascente
é um fenómeno que se observa com "incrível
constância através do tempo e do espaço
[2] ", na estrutura de qualquer
movimento, qualquer que seja o seu contexto
cultural, social e histórico. Por este motivo,
vemos surgir inúmeras concepções do estado
nascente, descritas de formas diferentes
por diversos autores, em vários campos do
conhecimento humano, podendo ser considerado
a génese e o motor de todas as transformações
históricas ao nível cultural, artísco, e
relacional no grupo, família ou na sociedade.
Um exemplo bastante significativo
é o do esquema proposto por Marx para o
desenvolvimento das forças produtivas de
uma sociedade, do qual resulta o processo
histórico. Neste caso, o desenvolvimento
faz surgir uma classe emergente que criará
instituições mais adequadas às exigências
do novo sistema produtivo, substituindo
as classes precedentes, que nesse momento
se tornaram um obstáculo à evolução.
Esta luta de classes representa o estado
nascente no processo de evolução social,
económica e histórica da sociedade humana
e surge normalmente sob a forma de revolução.
[3] >No Teatro podemos encontrar o estado
nascente sob várias formas.
Comecemos pela própria
origem do teatro. De facto, o primeiro estado
nascente a observar-se seria a manifestação
do mito sob a forma de ritos. Estes mitos
são a expressão do sentimento colectivo
em relação a objectos geradores de medo,
como a morte ou os fenómenos então desconhecidos
da natureza, sentimento esse canalizado
em actividades transformadoras, neste caso,
os ritos.
Neles, os indivíduos sentiam as forças que
os invadiam como "provenientes de uma
potência transcendental"
[4] , partilhando uma experiência metafísica
transposta para uma dimensão espacio-temporal
alienada em relação à realidade. Esta experiência
extraordinária, característica do estado
nascente, é uma particularidade das fórmulas
mágico-religiosas no geral, mantendo-se
no teatro, já que delas é herdeiro.
Pensemos nos ritos ditirâmbicos,
dos quais deriva a tragédia grega. Segundo
Nietzsche [5] , o coro é composto por "seres metamorfoseados",
é "uma comunidade de actores inconscientes"
que partilham uma experiência metafísica,
uma possessão característica da emoção dionisíaca
e que estabelece a solidariedade, a nova
linguagem comum entre o grupo, da qual resulta
o movimento.
A tragédia grega nasce desses ritos e da
tentativa de perpetuar os momentos extraordinários
que, de outra maneira, apenas sobreviveriam
na realidade como "recordação maravilhosa",
como refere Durkheim [6] .
Esta é a primeira forma
institucional do teatro, tendo em vista
a partilha desse sentimento, a princípio,
experimentado apenas pelo grupo em estado
dionisíaco, em que cada indivíduo se desloca
de si próprio para se unir com o "ser
originário" [7] .
Nesta fase, são definidos
um tempo e um espaço específicos para a
actividade teatral e a peça é elaborada
segundo determinadas regras, como as descritas
na Poética de Aristóteles [8] . Mas é precisamente dessa organização
que surge um novo estado nascente, que consistiu
na partilha da experiência dionisíaca com
o público.
Este fenómeno é notado
e descrito por Aristóteles como catarse,
a purgação de sentimentos como a piedade
e o terror, suscitados pela tragédia. A
catarse acontece por uma série de factores
que aqui seriam a identificação do público
com a acção decorrente na peça. Para isso
a cena deveria basear-se na imitação da
natureza, na verosimilhança.
Mas essa seria a expressão
daquela época específica, com todas as suas
particularidades culturais, sociais e históricas.
Se há uma imitação da natureza e se é um
facto que a natureza está em constante evolução,
bem como a própria perspectiva humana face
a essa natureza, então a imitação sofrerá
constantes alterações também, deixando,
por vezes, de ser imitação para exprimir
tudo o que desconhecemos. É assim que surge
uma nova forma de estado nascente em teatro,
exprimindo a relação da arte com a sociedade
e acompanhando os saltos evolutivos da última,
ou seja, os seus próprios estados nascentes.
Cada movimento estético
descoroa o precedente tendo como crença
que aqueles preceitos que reclama são eternos,
já que os sente em perfeita sincronicidade
com todos os outros factores da época presente,
não os percebendo como específicos daquele
momento histórico.
Mas essa emoção que se
sente, essa extraordinária sensação de estar
a agir em perfeita sincronicidade com o
que no presente é essencial, tendo em conta
todas as experiências do passado e sintetizando-as
de forma a realizar no futuro tudo aquilo
que tinha sido entrevisto e que, por condicionalismos
particulares do momento; não foi possível
alcançar, essa emoção criadora, esse estado
nascente, está em constante actuação e manifesta-se,
da mesma forma, tanto no Homem, gerando
uma nova cultura, como na natureza, produzindo
novos seres vivos,- o élan vital, de que
fala Bergson
[9] .
É esta também a emoção
de "certos espíritos excepcionais,
os grandes artistas, os profetas, os chefes
carismáticos, os cientistas"
[10] , e acontecerá sempre que na sociedade
humana e no mundo se percepcionar uma nova
e mais avançada forma de vida.
Cada movimento faz, portanto,
a reavaliação dos movimentos anteriores,
adopta como seus os elementos que se mantêm
essenciais, que continuam universais, e
faz deles uma síntese, aproveitando-a para
a sua nova linguagem, pois foi desse passado
que o novo se tornou agora possível.
O novo movimento torna-se então "a
autêntica realização daquilo que, nos movimentos
anteriores, era algo de incompleto, parcial,
unilateral"
[11] . O antigo é desestruturado, reavaliado
e reestruturado no novo.
Não é por acaso que Victor
Hugo, no seu Prefácio de Cromwell, começa
por analisar "as três idades da civilização"
[12] , estabelecendo a relação entre
poesia e sociedade e enquadrando os saltos
evolutivos da primeira nos da última, antes
de fazer a apresentação da nova escola artística
de que era então percurssor, o Romantismo.
Também Piscator relembra
que para cada época surgiu uma diferente
concepção de teatro, adquirindo este último
diferentes funções também. "A antiguidade
via essencialmente a posição do homem face
ao destino; a Idade Média a sua posição
face a Deus; o racionalismo a sua posição
face à natureza; o romantismo face às paixões.
Mas uma época em que as relações no interior
da colectividade, a revisão de todos os
valores humanos, a perturbação de todas
as relações sociais estão na ordem do dia,
não pode ver o homem de outro modo a não
ser na sua posição face à sociedade e aos
problemas sociais do seu tempo; de outro
modo senão como ser político"
[13] - refere-se assim Piscator à importância
do homem em cena para as diferentes épocas
históricas, promovendo a função social do
teatro para a sua própria época.
Poderíamos prolongar-nos
por cada movimento artístico que em todos
encontraríamos o fenómeno do estado nascente,
mas deixemos que a constante renovação do
teatro nos constate esse facto e, longe
de me querer demorar numa reflexão mais
profunda sobre História do Teatro ou Estética
Teatral, preferirei fazer uma revisão do
nosso próprio momento histórico, se isso
for possível, tendo em conta a cada vez
mais vertiginosa velocidade que atingiu
a evolução humana, propondo, desta feita,
uma nova hipótese de estado nascente para
os nossos dias e, consequentemente, para
o teatro de hoje.
O Estado Nascente Hoje
Fizemos uma análise sucinta
do estado nascente, da forma como se manifesta
e, em particular, desta experiência no teatro.
Vimos que seria possível apresentar um estudo
da evolução do universo e da humanidade
como uma sucessão de estados nascentes.
Em que medida será então possível um estado
nascente para os nossos dias?
Para respondermos a esta
questão, teremos de fazer uma pequena revisão
do passado histórico, para compreendermos
a situação específica da evolução humana
em que nos encontramos e de que forma teremos
de reestruturar a nossa forma de viver e
pensar, para melhor nos adaptarmos a esse
processo.
Alberoni distinguiu três
grandes saltos evolutivos da humanidade:
o primeiro salto foi o desenvolvimento da
palavra, favorecendo a comunicação; o segundo
deu-se com a invenção da escrita, permitindo
a transmissão do conhecimento acumulado
pelas gerações precedentes; o terceiro salto
aconteceu com a revolução industrial, referindo
que a esta transformação material não se
seguiu a devida transformação das capacidades
intelectuais.
De facto, desde que rompeu
com a realidade medieval, o Homem tem tentado
encontrar uma nova e mais satisfatória visão
do mundo e da vida, que se sobreponha à
mentalidade religiosa. Tem esperado por
uma verdadeira transformação da sua realidade
não só física e social, mas principalmente
espiritual.
No entanto, e apesar da ciência ter ajudado
a desmistificar muitas das crenças incutidas
pela Igreja, ela contribuiu essencialmente
para o progresso tecnológico e para a difusão
da ideia de um mundo como uma máquina previsível,
obedecendo a determinadas leis naturais.
A humanidade mergulhava
assim numa profunda transformação tecnológica,
ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX, que
resultaria num industrialismo frio, capaz
de afectar o próprio equilíbrio do planeta.
Porém, em oposição a esta
obsessão tecnológica, começavam a surgir
vários movimentos que estão na base da transformação
da maneira de pensar que se tem feito sentir,
principalmente, desde meados do século.
Na década de 50, a ciência
sofria uma revolução devida às descobertas
da mecânica quântica e às teorias de Albert
Einstein, fomentando a noção de um universo
como "uma rede de energias onde o tempo
pode acelerar ou abrandar, onde as mesmas
partículas elementares podem aparecer em
dois lugares ao mesmo tempo e onde o espaço
é curvo e finito, mas, no entanto, interminável
e talvez multidimensional"
[14] .
A divulgação desta questão,
revelando o mistério da vida, e os problemas
ambientais, desvelando a ameaça de uma tecnologia
e materialismo destrutivos, despertaram
a grande massa de jovens estudantes daquela
geração, fruto do baby boom do após guerra,
que se insurgiu contra os valores da organização
profissional e produtiva, numa atitude de
anti-industrialismo, pacifismo e igualitarismo,
fazendo surgir o interesse por novos significados
espirituais, religiões e pontos de vista,
em particular, os orientais, que se contrapunham
a uma prática religiosa desprovida de sentido.
Paralelamente, as ciências
humanas como a sociologia, a psiquiatria
e a antropologia, bem como a física moderna,
revelavam informações acerca da consciência
e criatividade humanas. "Este acumular
de pensamento, juntamente com a perspectiva
proporcionada pelo Oriente, começou a cristalizar
gradualmente naquilo a que, mais tarde,
se chamou o Movimento do Potencial Humano,
a crença emergente em que os seres humanos,
presentemente, apenas estavam a actualizar
uma porção diminuta do seu vasto potencial
físico, psicológico e espiritual" [15] .
Nos últimos decénios, segundo
Alberoni, o vertiginoso "crescimento
(extracraniano) dos nossos orgãos sensoriais
e da inteligência" [16] colmatou a desproporção em relação à evolução
tecnológica.
"A rádio, a televisão, o microscópio
electrónico, a monitorização computadorizada,
a observação através dos satélites, constituem,
no seu complexo, uma expansão dos nossos
orgãos dos sentidos" [17] , continua Alberoni, que relaciona também
o desenvolvimento das capacidades intelectuais
ao aparecimento do computador.
Quanto a ele, "a superfície do planeta
está a transformar-se numa única entidade
viva que tem como sistema nervoso o conjunto
dos cérebros humanos e das inteligências
artificiais. É uma entidade biológico-tecnológica
colectiva na qual os sujeitos são individuais" [18] .
Todas estas transformações
vêm contribuindo para a construção de um
novo pensamento que se baseia na compreensão
de um mundo físico mais dinâmico, todo constituído
por um mesmo material, que se mostra como
o elemento comum subjacente a toda a matéria,
a energia, através da qual as células de
todos os organismos vivos comunicam, num
fluxo de interacção que constitui o sistema
de funcionamento de todo o Universo.
Este conceito de energia
encontra-se profundamente enraizado na cultura
oriental, onde é tida como "energia
criativa pura e considerada nada menos do
que a força impulsionadora da evolução"
[19] .
O estado nascente confunde-se
assim com a constante actualização do fluxo
vital do universo, através de sucessivas
"injecções" de energia que elevam
a vida para níveis de vibração cada vez
mais complexos [20] . O que se espera hoje é que a humanidade
evolua conscientemente, compreendendo que,
para além do desenvolvimento físico e psicológico,
esta evolução está a processar-se a nível
espiritual. Espera-se que dessa consciência
toda a nossa realidade seja reorganizada,
incidindo-se, primordialmente, na reavaliação
dos processos de uma tecnologia sobredesenvolvida.
No entanto, as opiniões
sobre o futuro da humanidade divergem. Existe,
por um lado, um certo receio, principalmente,
no que diz respeito aos efeitos catastróficos
que o processo de industrialização teve
sobre o ecossistema, resultando na formação
de vários movimentos ecológicos. Por outro
lado, mas também na sequência destes movimentos,
surgiu um "novo objecto de amor colectivo
que será o protagonista dos movimentos colectivos
dos próximos decénios: o próprio planeta
e a natureza, o bio do qual fazemos parte" [21] . Estamos num momento particularmente receptivo
para uma desestruturação/reestruturação
da nossa realidade, pois a "pré-condição
para qualquer actividade humana" [22] está em risco.
Todas
as pré-condições para um novo estado nascente
estão em curso. Resta agora fundirmos as
nossas consciências individuais num novo
objectivo comum.
James Redfield fala de
um "céu na terra", em que a cultura
humana evoluirá para a compreensão da essência
espiritual da beleza do mundo natural, promovendo
a preservação da natureza e eliminação das
actividades económicas que ameacem destruir
essa fonte de energia.
A reprodução será voluntariamente limitada,
para a prevenção do excesso de população,
o que contribuirá para que todos usufruam
de uma vida próxima dos "locais sagrados"(espaços
verdes) e, ao mesmo tempo, a curta distância
dos centros urbanos de "tecnologia
verde", que providenciarão a satisfação
das necessidades de alimentos, vestuário
e transportes.
A vida basear-se-á numa "economia espiritual",
em que o dinheiro será considerado uma outra
forma de energia que se dá em troca de "verdade
espiritual", sendo, por fim, eliminado,
automatizando-se a produção de bens e democratizando-se
o planeta. Todos trabalharão para este bem
comum, compreendendo as profissões como
um processo de crescimento pessoal, que
poderão ser substituídas ao longo da vida,
consoante o estádio de evolução de cada
um
[23] .
Este projecto surge no
seguimento de uma mudança evolutiva do Homem,
que já se faz sentir. No decurso de investigações
das capacidades e aptidões do corpo humano,
tornaram-se cada vez mais presentes no Homem
capacidades paranormais que, se desenvolvidas
por um grande número de pessoas, "criariam
um novo tipo de vida no planeta, transcendendo
a vida tal como a conhecemos" [24] .
Michael Murphy distinguiu
doze atributos que caracterizam este nível
emergente de desenvolvimento:
1. Percepções extraordinárias,
apreensão da beleza sobrenatural dos objectos
familiares, clarividência voluntária e contacto
com entidades ou acontecimentos que são
inacessíveis aos sentidos normais.
2. Uma consciência somática
e uma auto-regulação excepcionais.
3. Extraordinárias capacidades
de comunicar.
4. Vitalidade superabundante.
5. Extraordinárias capacidades
de movimento.
6. Extraordinárias capacidades
de alterar o ambiente.
7. Alegria que existe por
si mesma.
8. Ideias intelectuais
fervilhantes.
9. Vontade supra-normal
10. Personalidade que simultaneamente
transcende e preenche a nossa noção comum
do eu, ao mesmo tempo que revela a nossa
unidade fundamental com os outros.
11. Amor que revela uma
unidade fundamental.
12. Alterações nas estruturas
corporais, dos estados e dos processos que
servem de base às experiências e capacidades
acima referidas
[25] .
Estes processos são a consequência
de uma elevação dos níveis de energia que
provocarão, nas pessoas que os experimentam,
estados de leveza física e espiritual, fazendo-os
parecer invisíveis às pessoas que vibram
a um nível inferior.
"[...] Algo, para
além do ser comum, nos influencia e enche
de energia e o desenvolvimento de várias
capacidades mentais, físicas e intuitivas
"projecta um futuro em que os seres
humanos podem tornar real uma vida extraordinária
na terra" [26] .
James Redfield, no seu
livro, A Profecia Celestina, descreve nove
revelações, baseadas num antigo manuscrito,
que definem e possibilitam a realização
dessa nova forma de vida e de uma sociedade
renovada. Elas baseiam-se, fundamentalmente,
na reavaliação do nosso processo individual
de evolução, das relações interpessoais
e do mecanismo de funcionamento do universo,
do qual fazemos parte e com o qual interagimos.
A primeira revelação relata
a consciência das coincidências que experimentamos
nas nossas vidas como uma orientação para
as mesmas, e refere o aparecimento de uma
"massa crítica" com um número
cada vez maior de pessoas a adquirirem essa
consciência;
a segunda revelação é relativa à consciência
da nossa natureza essencialmente espiritual;
a terceira revelação chama a atenção para
o facto do universo ser pura energia e,
por isso, poder responder às nossas intenções;
a quarta revelação relaciona os conflitos
humanos com uma competição pela energia,
cuja sensação de falta nos faz sentir inseguros;
a quinta revelação explica a ligação interior
à energia universal;
a sexta revelação explica o facto dessa
ligação nos poder libertar das nossas "cenas
de controlo", ou seja, a forma como
tentamos controlar a energia dos outros
para nos sentirmos mais seguros;
a sétima revelação ensina a forma como,
ao fazermos perguntas concretas acerca das
nossas vidas, o universo nos responde;
a oitava revelação incita à reavaliação
das nossas relações, tendo em conta os factores
acima descritos, e o problema da co-dependência
afectiva, que significa a nossa tentativa
de compensar a falta da energia universal
ligando-nos à energia dos outros;
a nona revelação integra estas revelações
numa nova forma de encarar a vida e a natureza,
na perspectiva de uma civilização mais humanizada.
A Ilha - Teatro em Estado
Nascente
Pala, a "ilha proibida",
é a descrição dessa nova sociedade, tal
como a vê Aldous Huxley. Aí, funde-se o
melhor de todos os mundos já realizados
dentro das várias culturas e os de potencialidades
ainda não realizadas, num misto de budismo
com novas teorias científicas, biológicas
e éticas.
A medicina conjuga todos
os conhecimentos sobre a anatomia, a bioquímica,
a psicologia, e o espírito e a sua ligação
à fonte de vida, resultando numa resposta
completa das causas e efeitos das doenças
e dos acidentes, nos seus lados físico e
psicológico.
A sexualidade é vista como
"um meio psicofísico de alcançar um
fim transcendente" [27] e é ensinada na escola sob a forma do maituna,
ou seja, o ioga do amor. Toda a educação
é uma exposição bastante concreta de problemas
como a ecologia, as relações interpessoais
e a gestão das próprias emoções.
O trabalho faz também parte
da educação e é incentivada a variedade
de profissões para que toda a gente aprenda
"acerca das coisas, das técnicas e
das organizações, acerca de todos os tipos
de pessoas e da sua maneira de pensar [28] ".
A religião é encarada como
uma forma de auto conhecimento, na qual
os deuses perdem o carácter omnipotente.
"Os deuses são todos forjados pelo
Homem e somos nós quem lhes puxa os cordelinhos
e lhes confere, com esse acto, o direito
de puxarem pelos nossos"
[29] .
Há, por isso, um sentido
de espiritualidade antes ligado à natureza
e à força do próprio eu. "Se as preces
são ouvidas é porque, neste nosso singularíssimo
mundo psicofísico, as ideias, quando nelas
concentramos o nosso espírito, possuem uma
tendência para a concretização" [30] .
O alpinismo, como manifestação
da omnipresença da morte e instabilidade
da vida, e o moksha, uma substância extraída
de cogumelos e que provoca visões e um acréscimo
de consciência, são experiências de iniciação
à autoconsciência e à revelação do mundo.
A pintura, essencialmente
paisagística, não é subordinada a alguns
artistas conceituados, mas sim a expressão
de todos os que queiram partilhar uma experiência
mais elevada que se converte em meditação
para os que a contemplam.
Os habitantes desta ilha
maravilhosa são constantemente despertados
pelos minas, os pássaros que repetem frases
como "atenção" e "aqui e
neste momento", lembrando a importância
de agir no momento presente.
Os problemas que impedem
a concentração e a compenetração completa
do ser são trabalhados através de uma psicologia
bastante particular: os assuntos perturbantes
são relatados e repetidos diversas vezes
até que o "paciente" consiga perceber
a insignificância desse episódio em todo
o contexto da sua vida, e todas as pessoas
que impliquem sentimentos negativos, são
distorcidas num jogo mental até adquirirem
um aspecto cómico e serem espezinhadas na
"dança de rakshasi" [31] .
Este romance é uma antevisão,
algo utópica, do que poderia atingir a humanidade,
se guiada pelo estado nascente proposto
neste trabalho. Daqui surgiu a ideia da
sua adaptação, reforçando a ideia de um
teatro que estabelecesse a relação do público
com a sociedade, servindo como despertador
espiritual.
As cenas adaptadas deste
romance foram escolhidas, também por este
motivo. São três sequências que representam
diálogos entre duas personagens principais:
William Farnaby e Susila Macphail.
William Farnaby é um jornalista
inglês que naufraga em Pala, a ilha onde
todos os jornalistas tentam chegar sem grandes
resultados. Aqui, Will tentará aproveitar
a "feliz coincidência" para cumprir
o seu intuito de investigar o petróleo existente
na ilha e a possibilidade de futuras negociações
com Inglaterra. Susila Macphail é uma nativa
da ilha, que ensina psicologia na escola
primária, sendo também responsável pelo
apoio psicológico e orientação espiritual
dos pacientes em casos graves.
Durante estas cenas o público
terá algum contacto com o tipo de mentalidade
dos naturais de Pala, assim como assistirá
à consequente transformação das personagens:
Will, muda porque aprende a conhecer-se
melhor e a ultrapassar os conflitos com
o seu passado, Susila, porque aprende que,
apesar de todos os conselhos sábios que
aprendem na ilha, o passado nunca se poderá
alterar e é sempre difícil lidar com ele.
Will representa a sociedade
actual, o progresso e a subsequente desumanização
das relações interpessoais, Susila representa
a possibilidade de uma cura para essa situação,
sabendo, no entanto, que apesar de grande
parte do nosso sofrimento ser inflingido
por nós próprios e apesar de termos algum
controlo sobre as nossas vidas, há circunstâncias
sobre as quais não podemos agir, sendo,
por isso, fundamental viver no presente,
para menos termos de lamentar no futuro.
Um facto curioso, é o de
o autor ter chamado Will à personagem principal
do romance. Will significa desejo, determinação,
vontade, energia e entusiasmo, num sentido
lato representa um poder de escolha, ou
uma acção ou intenção deliberadas que resultam
do exercício desse poder. Não quererá Huxley
dizer que o futuro apenas depende daquilo
que estivermos dispostos a fazer por ele?
O Actor e a Encenação
em Estado Nascente
Toda a evolução que se
manifestou na tecnologia, na sociedade e
no pensamento humano, ao longo deste século,
manifestou-se, igualmente, no teatro.
Se a utilização da luz
eléctrica se revelou essencial para a evolução
de vários aspectos do teatro, para além
dos técnicos (a electricidade possibilitou
o uso de palcos rotativos e outras inovações
que contribuiram para novas ideias plásticas
e de encenação), também as revoluções nas
ciências e nas disciplinas humanas foram,
gradualmente, criando uma nova estrutura
para o conhecimento relativo às artes dramáticas,
contribuindo para o aparecimento de novas
tendências teatrais.
O crescente interesse de
vários encenadores e outros homens de teatro,
pela psicologia, pela anatomia, pelo estudo
do movimento e do gesto e do seu carácter
cultural, foi exercendo a força de uma verdadeira
revolução em teatro, sem que as próprias
pessoas que dela fizeram parte se apercebessem
do seu trabalho colectivo.
Stanislavski, começava
a direccionar o seu trabalho para a criação
de um "corpo-mente orgânico" do
actor, que deveria interpretar a sua personagem
igualmente como um ser completo em que,
para cada intenção psicológica corresponde
uma acção física.
Craig defendia o teatro
como a arte do movimento no espaço, fomentando
o simbolismo, juntamente com Appia, e inspirando-se
na commedia dell'arte, no teatro de marionetas
e no teatro oriental, para criar a noção
de um actor que é uma supermarioneta, que
domina perfeitamente a técnica e as leis
do movimento, criando, em palco, um "corpo
vivo", em estado de extâse.
Meyerhold, baseando-se
na psicologia americana das emoções e na
reflexologia soviética pavloviana, vai estudar
o acto psíquico intrusado num processo nervoso
e toda a acção como uma resposta a um estímulo.
Observando, em paralelo, o trabalho de corpo
de um acrobata, vai desenvolver a noção
de biomecânica do actor, que dependerá do
seu domínio da energia no tempo e no espaço,
no domínio dos reflexos, do equilíbrio e
do ritmo, e consciência exacta do seu centro
de gravidade. "O trabalho do actor
é o conhecimento de si próprio no espaço".
Toda a peça vai, assim, resultar num jogo
de energia com o seu equivalente psíquico,
que tem como fim estimular a actividade
mental do público.
Artaud leva este sentido
do jogo de energia, entre os actores e o
público, ao extremo, isto é, faz da energia
em teatro a sua "linguagem nua",
a qual deverá "agir directa e profundamente
sobre a sensibilidade, através dos orgãos".
O que sobressai, na maior
parte destes casos, é a procura do actor
em "corpo vivo", em "estado
de graça". Fala-se de uma energia no
actor, que não define apenas a manifestação
da sua força muscular e nervosa, característica
em todos os corpos vivos, mas da forma como
essa energia é modelada conscientemente,
de forma a ajudá-lo a expressar, de forma
mais clara, as emoções e acções da personagem,
comunicando também de forma mais eficaz
com o público.
Este conceito é particularmente
evidenciado nas disciplinas orientais.
Em Kung-Fu, designa a disciplina,
a capacidade ou habilidade que um esforço
continuado exige, para ser dominado; é também
aquilo que faz vibrar o actor, que fá-lo
parecer presente e que significa uma superação
de qualquer aspecto técnico.
Nos diferentes tipos de
teatro japonês, Nô, Kyogen e Kabuki, designa-se
de koshi, as energias usadas pelo actor,
ou ki-hai, a consonância profunda entre
o espírito e o corpo.
Na Índia, no teatro de
Bali, fala-se de chikará, a força ou poder,
conseguidos através do exercício regular,
de taksú, a inspiração celeste que se apodera
da bailarina independentemente da sua vontade,
ou de bay, o vento ou a respiração que definem
a presença do actor.
Em antropologia teatral
fala-se de animus e de anima, que significam
duas forças diferentes, opostas, mas que
coexistem no mesmo organismo. Algo como
as forças que distinguem a onda que bate
na areia, da onda que volta para o mar.
O actor, através do variar
desta energia, dilata a sua presença física,
cria um "corpo em vida", sendo
aquilo que aparenta ser um trabalho de corpo
e de voz, um trabalho sobre algo invisível.
Para poder modelar essa
energia, e, já que não pode olhar com os
próprios olhos para si próprio, o actor
criará "segundos olhos", desenvolverá
um sexto sentido, que não é mais do que
a atenção em relação ao que se passa em
si e à sua volta. Esta consciência desperta
uma tensão na coluna vertebral, como "um
impulso a estar preparado", todo o
corpo fica em constante actividade, disposto
a actuar de forma precisa.
Para a apresentação das
cenas em palco, decidimos trabalhar sobre
estas questões, não só por uma questão de
representação, mas porque o próprio texto
assim o exige. O cenário conterá elementos
que acompanharão os significados mais profundos
do texto. A cor e a intensidade da luz,
em cada cena, serão a manifestação do ambiente
que o texto pretende criar, contendo também
um carácter plástico, como os restantes
elementos cénicos e o próprio corpo dos
actores.
A expressividade do corpo
dos actores não significa, no entanto, uma
dança, como Meyerhold ou Artaud pretendiam.
Pretender-se-á, simplesmente,
criar uma liberdade de acção e uma imagem
harmoniosa, que tocará na sensibilidade
estética do público. O mesmo acontecerá
com a música.
No conjunto, a peça deverá
transportar o público para um estado nascente,
que o possa clarificar, se não por revelar
qualquer novo aspecto do mundo, pelo menos
por promover um estado de espírito bastante
mais harmonioso e aberto a novas ideias.
Reconheço o pretensiosismo
que acompanha este trabalho, e a dificuldade
em atingir aquilo que todos os encenadores
e actores tentam com o seu trabalho, ou
seja, a sincronicidade entre aquilo que
pensam dever mostrar ao público e aquilo
que o público deseja.
Espero, no entanto, suscitar
a imaginação de alguns de vós, no sentido
de insuflar o teatro de um novo fluxo de
vida, de criar um novo interesse que mova
as multidões e que lhes ensine que a vida
e o mundo são fruto do nosso esforço, individual
e colectivo.
Estamos perante um momento
crítico, em que devemos decidir em que direcção
queremos ir: para a destruição total ou
para um céu na terra.
E isso não é Deus quem
decide, somos nós.
Aldous Huxley e o Estado
Nascente
Aldous Huxley nasceu no
dia 26 de Julho de 1894, no seio de uma
família pertencente à elite intelectual
da classe dominante de Inglaterra, da altura.
A sua mãe era irmã de Humphrey Ward, a romancista,
sobrinha de Matthew Arnold, o poeta, e neta
de Thomas Arnold, um famoso director de
uma escola de râguebi. O seu avô era Thomas
Henry Huxley, um filósofo da teoria da evolução
e do Darwinismo.
Tendo nascido e vivido
sempre em contacto com essa classe social,
Huxley, sentia a opressão do autoritarismo
e das classes instituídas, o que revela
nas suas obras e, principalmente, em O Admirável
Mundo Novo, em que acentua esse sentimento,
abordando uma sociedade biológica e quimicamente
organizada e psicologicamente condicionada,
onde os habitantes desconhecem a liberdade,
em troca da felicidade proporcionada por
pílulas mágicas.
Outro acontecimento da
sua vida que marcou a sua obra, foi a morte
da mãe, com um cancro, quando ele ainda
tinha catorze anos. A sua obra ficou para
sempre caracterizada por um sentido de efemeridade
da felicidade humana.
Aos desasseis anos, enquanto
estudava em Eton, uma doença nos olhos quase
o cegou por completo.
Em 1916, publicou o seu
primeiro livro. Nos seus primeiros tempos,
Huxley era um escritor sério, idealista
e romântico, tendo escrito poesia simbolista
e ensaios críticos. Mas, com o tempo e descobrindo
as preocupações que afectavam a sociedade
da época (o crescimento da população e falta
de recursos e fontes de alimentação na terra,
para além de outros problemas ambientais
e políticos) foi revelando um cinismo neo-Romântico
(do qual O Admirável Mundo Novo é também
exemplo).
Em 1919, casa-se com Maria
Nys, uma belga, com a qual teve um filho,
em 1920. O casal dividiu os seus primeiros
anos entre Londres e a Europa, passando
os anos de 1925 e 1926, em viagens pelo
mundo, conhecendo a Índia e os Estados Unidos,
para onde finalmente se mudam em 1937.
Nesta altura, vai para
Hollywood, onde escreve alguns guiões para
cinema, dos quais uma adaptação do romance
de Jane Austen, Orgulho e Preconceito, protagonizada
pelo jovem Laurence Olivier. O resto da
sua vida foi passada na Califórnia. Maria
Huxley morreu em 1955, e no ano seguinte,
Huxley casou-se com Laura Archera.
Isto significou também
uma nova fase na sua vida, pensamento e
literatura. Por esta altura, Aldous Huxley
começou a fazer experiências com drogas
psicadélicas, como a mescalina e o LSD,
substâncias alucinogéneas e expansoras da
mente, resultando daqui vários trabalhos
analíticos e livros como As Portas da Percepção
e O Céu e o Inferno.
Estas obras representam
as suas ideias sobre a alteração das percepções
dos sentidos e da consciência que se experimentam
pelo uso destas drogas, relacionando essas
experiências com a história cultural, a
criação de mitos, a origem das religiões
e o processo criativo implicado na arte.
Para
ele, esta drogas dariam a possibilidade
de uma experiência visionária, que é comum
e espontânea nos místicos, santos e grandes
artistas, às pessoas que não têm esse dom,
isto, juntamente com outras práticas, como
a meditação, o isolamento, a hipnose ou
auto hipnose, e alguns exercícios de yoga.
Aquilo que Huxley definiu
da experiência com essas drogas psicadélicas,
encontra-se muito próximo da experiência
de estado nascente de que tenho vindo a
falar, ao longo deste trabalho. Huxley fala
de uma "visão beatífica", de um
ser abanado das raízes da percepção quotidiana,
sendo-nos dada a revelação de um mundo interior
e exterior como ele é apreendido directa
e incondicionalmente, sem a distorção dos
conceitos que nos foram incutidos.
Huxley baseia-se na teoria
da memória e da percepção dos sentidos de
Bergson, que sugere que as funções do cérebro
e do sistema nervoso, são essencialmente
eliminativas e não produtivas. Isto significa
que cada pessoa tem a capacidade de recordar
tudo o que lhe aconteceu e, ao mesmo tempo,
de se aperceber de tudo o que se passa em
todo o sítio do universo inteiro, tendo,
o cérebro e o sistema nervoso, a função
de seleccionar a parte que, dessa informação,
é realmente útil à nossa sobrevivência neste
planeta.
Assim, aquilo que chamamos
de "este mundo" são as realidades
que cada pessoa apreende e, o "outro
mundo", o que podemos por vezes experimentar
da manifestação de toda a informação do
universo, à qual Huxley intitula de "mente
alargada".
Para Huxley, portanto,
o estado nascente, ou, no seu caso, a experiência
com as drogas psicadélicas ou a emoção característica
do artista, é a passagem directa do conhecimento
da "mente alargada" até à nossa
consciência, sem a influência redutora do
ego e cérebro. "É um conhecimento do
significado intrínseco de todo o existente".
A Ilha foi o seu último
livro, escrito em 1962.
Este livro é o resultado
de todo o pensamento que recolheu durante
a sua vida inteira. Para escrevê-lo, fez
uma profunda pesquisa de àreas tão distintas
como "a história grega, antropologia
polinésia, traduções de textos budistas
escritos em sânscrito e chinês, material
científico sobre farmacologia, neurofisiologia,
psicologia e educação, juntamente com romances,
poemas, ensaios críticos, livros de viagens,
comentários políticos e conversas com todos
os tipos de pessoas, desde filósofos a actrizes,
de doentes mentais em hospitais psiquiátricos
a homens poderosos conduzindo Rolls-Royces..."
.
A Ilha é uma utopia que define os seus valores
em relação ao que deveria ser o mundo e
as relações entre as pessoas. Significa,
também, o antídoto para O Admirável Mundo
Novo, que descreve o mundo horrível em que
poderemos viver no futuro.
Estes dois romances são,
por isso, o dilema que vivemos no nosso
tempo, estando apenas separados pela nossa
própria vontade.
Este romance deu origem
a um grupo com o mesmo nome, fundado em
1990, na Califórnia, que tem como fim a
criação de uma nova sociedade baseada nas
ideias inovadoras de Aldous Huxley.
Este grupo reconhece que,
desde que o romance foi escrito, uma série
de inovações, que Huxley reivindicava, já
se realizaram, dos quais evidenciaram:
·
a convergência dos computadores
com os media e a realidade virtual, de forma
a criar uma nova forma de unir as pessoas
do planeta;
·
formas experimentais de
relações humanas e comunidades, que servirão
de modelo para futuras formas de vida e
sociedade;
·
a evolução da inteligência,
a extensão de vida e a nanotecnologia;
·
os novos paradigmas científicos
das matemáticas e físicas que se começaram
a fundir com o que se julgava místico e
espiritual;
·
a jovem cultura psicadélica
que criou uma música, arte e cultura alternativas
e cujos rituais cresceram do conceito do
tecno-xamanismo (a fusão do antigo com o
novo).
A única coisa que penso
ter falhado no estudo de Aldous Huxley,
no sentido de atingir esse estado, é o facto
de não ser essencial o uso de uma droga
ou qualquer outro artifício para se encontrar
esse sentimento. No entanto, não é um erro
tão grave assim- a decomposição da adrenalina,
substância existente no nosso organismo,
da qual resulta o adenocromo, causa a maior
parte dos sintomas sentidos por intoxicação
daquelas drogas, o que significa que o nosso
próprio corpo pode, espontâneamente, produzir
aquelas sensações.
É, portanto, possível e
natural produzir essa "visão beatífica",
ou estado nascente, espontaneamente. A Profecia
Celestina seria talvez o guia para a criação
desse estado e um complemento para realizarmos
a utopia que A Ilha nos apresenta.
Aldous Huxley morreu em
22 de Novembro de 1963, no mesmo dia em
que o presidente Kennedy foi assassinado.
O cancro na garganta, de
que sofria, causa normalmente cenas dramáticas
na fase terminal. Huxley, no entanto, morreu
serenamente. Nessa manhã, estando já tão
fraco que não podia falar, escreveu num
papel "LSD- tenta por via intramuscular-
100mmg". A sua esposa, contrariando
as ordens do médico, aplicou ela própria
a injecção.
Outras Obras do Autor
·
Limbo
(1920,
short stories)
·
Crome Yellow
(1921,
novel)
·
Antic Hay
(1923,
novel)
·
Those Barren Leaves
(1923,
novel)
·
Jesting Pilate
(1926,
travel book)
·
Point Counter Point
(1928,
novel)
·
Brave New World
(1931,
novel, science fiction)
·
Beyond the Mexique Bay
(1934,
travel book)
·
Eyeless in Gaza
(1936,
novel)
·
After Many a Summer Dies a Swan
(1939,
novel)
·
The Art of Seeing
(1942,
non-fiction... Bates method of 'visual re-education)
·
Grey Eminence
(19??,
historical study)
·
The Devils of Loudun
(19??,
historical study)
·
Ape and Essence
(1948,
novel, science fiction...Harper, New York,
US... postapocalyptic)
·
The Doors of Perception
(1954,
non-fiction...Harper, New York, US... mescaline,
psychedelics)
·
Heaven and Hell
(195?,
non-fiction)
·
Brave New World Revisited
(1959,
non-fiction)
·
Collected Essays
(1960,
non-fiction, essays)
·
On Art and Artists
(1961,
non-fiction, essays)
·
The Perrenial Philosophy
(19??,
?)
·
The Doors of Perception and Heaven and Hell
(1962,
non-fiction, omnibus edition...Harper Colophon,
New York, US... mescaline, psychedelics)
·
Island
(1962,
novel... )
·
Literature and Science
(1963,
non-fiction)
·
Moksha: Writings on Psychedelics and the Visionary Experience (1931-1963)
(19??,
non-fiction, anthology... psychedelics)
·
Ends and Means
(19??,
?)
Citações de Apoio à Compreensão
Conceptual do Trabalho
*ALBERONI, Francesco.
A Génese, Bertrand Editora, Lisboa, 1990.
"A nível do indivíduo,
o estado nascente é uma experiência extraordinária
que interrompe a trama da vida quotidiana
e lhe imprime um novo curso. É a descoberta
da própria vocação mais profunda, do próprio
destino. É uma chamada ou uma revelação.
Mas pode ser igualmente o nascimento de
um amor, uma conversão religiosa ou política,
uma inspiração artística irresistível, uma
decisão irrevogável. O estado nascente é
uma experiência cognoscitiva. É um conhecer,
um ver, um descobrir do que estava escondido,
um revelar do que já existia. Mas é também
uma experiência emocional extraordinária,
perturbadora, entusiasmante e apaixonante.[...]
É uma subversão, uma reviravolta, uma nova
forma de olhar o mundo e a si próprio."
[p.11]
"O estado nascente
é uma descontinuidade social provocada por
uma experiência de morte e renascimento
a nível individual.[...] No estado nascente
o ser humano descobre a sua plasticidade,
experimenta a sua incrível maleabilidade.
Sente-se, durante um milagroso instante,
liberto da maneira de ser em que se manteve
calado, aprisionado. Sente-se livre de realizar
todas as suas potencialidades." [p.37]
"É neste processo
tumultuoso que surgem os movimentos. Surgem
como reacções individuais e colectivas ao
estado de desordem que se veio a criar,
à tensão, à estagnação, ao sentido de injustiça,
mas igualmente como objectivo vital e necessidade
de encontrar um sentido para a vida e para
a acção." [p.71]
"Loucura e estado
nascente não se confundem, já o vimos, mas
os mecanismos da loucura podem interferir
na experiência metafísica e levar à negação
da contingência, ou seja, à declaração de
que o existente é ilusório e o pensamento
tudo pode." [p.139]
"Há só um tipo de
estado nascente. Há inúmeros tipos e formas
de instituições." [p.248]
"[...] na experiência
do estado nascente, existe muito forte a
impressão de uma potência que nos anima
do interior, de uma potência infinitamente
maior do que nós e que, no entanto, se nos
apresenta como a nossa própria essência."
[p.343]
"Se se deve admitir
uma ânsia criadora original e divina da
natureza, da qual depende a evolução e,
depois, o progresso humano, é necessário
tomar como sua manifestação o estado nascente
nos indivíduos verdadeiramente criativos.
Já o dissemos e repetimo-lo: o estado nascente
não é mais do que a invenção, o reestruturar
de um campo, a solução de um problema, o
abrir de um novo caminho. Se acontece numa
pessoa mediana, resolverá um problema modesto
e não conduzirá muito além disso. [...]
Bem diferente é o estado nascente dos grandes
espíritos criadores, o momento mágico da
descoberta que revolucionará não apenas
a sua vida, mas o mundo. E isto é válido
para todos os campos em que sopra a 'loucura
divina'. As grandes criações de Dante ou
de Shakespeare, de Miguel Ângelo, de Leonardo,
de Copérnico, de Galileu, de Einstein ou
de Freud." [p.346]
*BORIE, Monique-ROUGEMENT,
Martine-SCHERER, Jacques. Estética Teatral,
Textos de Platão a Brecht, Fundação Calouste
Gulbenkian, Lisboa, 1996.
"[...] o nosso objectivo
não é apenas criar a vida de um espírito
humano, mas também 'exprimi-la sob uma forma
estética e artística'.[...] damos uma importância
particular à influência do espírito sobre
o corpo.[...] Deveis exercitar ao mesmo
tempo o vosso aparelho psíquico, que vos
permitirá criar a vida interior da vossa
personagem, e o vosso aparelho físico, que
exprimirá os seus sentimentos com precisão."
[Stanislavski: A Formação
do Actor (1926), p.374]
"A criação do actor
resumindo-se à criação de formas plásticas
no espaço, implica que lhe seja necessário
estudar a mecânica do seu corpo. Tal é-lhe
necessário porque toda a manifestação de
uma força, em particular num organismo vivo,
está submetida a uma lei mecânica única
(e a criação pelo actor de formas plásticas
no espaço cénico é, evidentemente, a manifestação
de uma força do organismo humano)."
[Meyerhold: O Actor e a
Biomecânica (1922), p.403]
"O drama moderno
deve exprimir o grande sonho futurista que
se liberta da nossa vida contemporânea exasperada
pelas velocidades terrestres, marítimas
e aéreas e dominada pelo vapor e pela electricidade.
É preciso introduzir sobre a cena o reino
da Máquina , os grandes calafrios revolucionários
que agitam as multidões, as novas correntes
de ideias e as grandes descobertas científicas
que transformaram completamente a nossa
sensibilidade e a nossa mentalidade de homens
do século vinte."
[Marinetti: Manifesto dos
Autores Dramáticos Futuristas (1911), p.410-411]
"Tal poderia ser
o sentido último de toda a arte: mostrar
ao homem como todo o real não é mais que
aparência que se evola diante da existência
humana autêntica. Sim, todo o real não é
mais que erro porquanto a verdade é a espiritualidade."
[Kornfeld: O Homem Espiritual
e o Homem Psicológico (1918), p.418]
* REDFIELD, James. A Profecia
Celestina, Editorial Notícias, Lisboa, 1997
"Segundo me disse
o padre, trata-se de uma espécie de renascimento
da consciência, que ocorrerá de forma muito
lenta. Embora espiritual, não é um movimento
de natureza religiosa. Estamos a descobrir
algo de novo sobre a vida neste planeta,
sobre o significado das nossas existências,
e, segundo o padre, esse conhecimento alterará
impressionantemente a cultura humana."
[p.14]
"A História não é
só a evolução da tecnologia; é a evolução
do pensamento. Ao tentarmos compreender
a realidade das pessoas que viveram antes
de nós, compreenderemos por que razão vemos
o mundo da maneira como o fazemos e qual
é o nosso contributo para um maior progresso.
Podemos saber com precisão em que ponto
aparecemos, por assim dizer, no desenvolvimento
mais amplo da civilização e ficarmos a saber
para onde vamos." [p.32]
"Há mil anos, vivíamos
num mundo onde Deus e a espiritualidade
humana estavam claramente definidos. E tinhamos
perdido tudo isso, ou melhor, haviamos decidido
que a história não se reduzia a isso. Por
conseguinte, tinhamos enviado exploradores
à descoberta da verdadeira realidade, com
a missão de nos virem informar sobre o que
tinham descoberto, mas, como haviam demorado
demasiado a regressar, começáramos a preocupar-nos
com uma finalidade nova e material, a de
nos instalarmos no mundo, a de vivermos
com mais conforto.[...] Quase podia visualizar
o impulso da Idade Moderna a perder progressivamente
a sua força, à medida que nos aproximávamos
do fim do milénio. Uma obsessão com quatro
séculos estava em vias de chegar ao fim.
Tinhamos criado os meios da segurança material,
e agora pareciamos prontos- em posição,
diria- para descobrir o porquê de tudo o
que fizéramos." [p.42-43]
"Toda a obra da vida
de Einstein foi mostrar que o que precepcionamos
como matéria sólida é, na sua maior parte,
espaço vazio atravessado por energia.[...]
Por outras palavras, o material básico do
universo, na sua essência, parece ser constituído
por uma espécie de energia pura, que se
mostra permeável às expectativas humanas[...]"
[p.58]
"[...] em que medida
o universo físico, como um todo- uma vez
que é feito da mesma energia básica -, reage
às nossas expectativas? Até que ponto as
nossas expectativas criam tudo o que nos
acontece?[...] É possível que ele [o universo]
funcione, basicamente, de uma maneira mecânica,
mas que reaja subtilmente à energia mental
que projectamos sobre ele." [p.78]
"Quando visualizamos-
dizia ele-, cada inspiração traz-nos energia
e enche-nos, como se fossemos um balão;
ficamos com mais energia e sentimo-nos muito
mais leves, como se estivessemos a flutuar."
[p.187]
"O seu corpo vibra
a um certo nível. Se deixar que esse nível
desça, o seu corpo sofre isso. É nisso que
consiste a relação entre stress e doença.
Amar mantém o nível de energia elevado.
Mantém-nos saudáveis. É tão importante como
isso." [p.211]
"Á medida que Julia
falava, fui notando que o seu rosto e o
seu corpo se modificavam. O seu corpo estava
a adquirir as características do seu campo
de energia. Os seus traços ainda eram nítidos
e distintos, mas já não eram músculos e
pele o que eu via. Dava a sensação de se
estar a transformar em pura luz, uma luz
vinda de dentro." [p.293]
"Quanto mais beleza
virmos, mais evoluiremos. Quanto mais evoluirmos,
mais alto será o nosso nível de vibração.
A Nona Revelação mostra-nos, em última análise,
que o aumento da percepção e da vibração
nos abrirá caminho para um Céu que já está
à nossa frente. Só que ainda não o vemos.
Sempre que duvidarmos
do nosso próprio caminho ou perdermos de
vista este processo devemos recordar aquilo
para que estamos a evoluir, em que consiste
viver. Alcançar o Céu na Terra é a razão
por que aqui estamos. E agora sabemos como
se pode fazer isso... como se fará."
[p.295]
* REDFIELD, James-ADRIENNE,
Carol. A Profecia Celestina, Um Guia Experimental,
Editorial Notícias, Lisboa, 1995
"O nosso planeta
foi revelado sob um novo prisma, não como
um mundo estático ou cíclico, mas sim como
uma esfera onde se têm registado transformações
após transformações das espécies, ao longo
de várias centenas de anos. Este avanço
extraordinário leva a crer que os seres
humanos se podem desenvolver ainda mais.
A evolução até hoje é um gesto inevitável
e supremo, que aponta para um misterioso
futuro das formas vivas [...] Possuímos
capacidades de transformação [...] Não é
exagerado pensar que, apesar das nossas
muitas limitações, talvez nos espere ainda
mais progresso, talvez mesmo um novo tipo
de evolução.
[Michael Murphy, The Future
of the Body, p.42]
"Quando despertada,
a energia sobe impetuosamente pela medula-espinal,
activando os centros de energia do corpo
e libertando diversas sensações emocionais
e físicas." [p.129]
"A alma e a mente
perderam instantaneamente o seu vínculo
físico e fluíram dali para fora [...] A
minha noção de identidade deixou de estar
estreitamente limitada por um corpo e passou
a abarcar os átomos do ambiente circundante
[...] uma glória que não parava de crescer
dentro de mim começou a envolver cidades,
continentes, a terra, os sistemas solar
e estelar."
[Paramahansa Yogananda,
Autobiography of a Yogi, p.133]
"[...] [Buda] ensinou
que as instituições sociais co-surgem connosco.
Não são estruturas independentes e separadas
das nossas vidas, quais cortinas de fundo
da nossa peça de teatro pessoal, em frente
das quais podemos exibir as nossas virtudes
de coragem e compaixão [...] Como formas
institucionalizadas da nossa ignorância,
dos nossos medos e da nossa cobiça, adquirem
a sua própria dinâmica. O eu e a sociedade
são ambos reais e mutuamente causativos."
[Joanna Macy, World as
Lover, World as Self, p.151]
* REDFIELD, James. A Décima
Revelação, Editorial Notícias, Lisboa, 1996
"A Décima Revelação
prende-se com a compreensão de toda esta
consciência- a percepção de coincidências
misteriosas, a consciência espiritual cada
vez maior em relação à Terra, os desaparecimentos
da Nona Revelação- tudo a partir da perspectiva
mais elevada da outra dimensão, de modo
a podermos compreender por que razão esta
transformação está a ocorrer e a participarmos
mais plenamente." [p.18]
*ABEL, Lionel. Metateatro,
Uma Visão Nova da Forma Dramática, Zahar
Editores, Rio de Janeiro, 1968
"Defini o metateatro
como repousando sobre dois postulados básicos:
1) o mundo é um palco, e 2) a vida é um
sonho." [p.141]
"A tragédia transmite
de longe o sentido mais forte da realidade
do mundo. O metateatro transmite de longe
o sentido mais forte de que o mundo é uma
projecção da consciência humana.
A tragédia florifica a
estrutura do mundo, que supostamente reflete
em sua própria forma. O metateatro glorifica
a falta de vontade da imaginação para considerar
qualquer imagem do mundo como final.
A tragédia torna a existência
humana mais vívida por deixar transparecer
a sua vulnerabilidade face o destino. O
metateatro torna a existência humana mais
semelhante ao sonho por nos mostrar que
o destino pode ser superado.
A tragédia pretende ser
mediadora entre o mundo e o homem. A tragédia
deseja estar dos dois lados. O metateatro
pressupõe que não existe mundo senão aquele
criado pela luta humana, pela imaginação
humana.
A tragédia não pode operar
sem o pressuposto de uma ordem que seja
um valor último. Para o metateatro, a ordem
é alguma coisa que está sempre a ser improvisada
pelos homens. [...]
Não devemos parar de lamentar
a 'morte' da tragédia e dar o justo valor
à forma dramática que a civilização ocidental-
e exclusivamente essa civilização- foi capaz
de criar e aperfeiçoar?" [p.150-151]
*HUXLEY, Aldous. A Ilha,
Edição "Livros do Brasil", 1962,
Lisboa.
"-Este pássaro é teu?-
perguntou Will.Ela abanou a cabeça.-Os minas
são como a luz eléctrica- disse.- não pertencem
a ninguém.-Porque é que eles dizem essas
coisas?-Porque os ensinaram a dizê-las-
respondeu ela pacientemente. "Que burro!",
era o que o seu tom parecia significar.-
Mas porque é que lhes ensinaram a dizer
essas coisas? Porque é que dizem "atenção"?
E "aqui e neste momento"?-Bem...-
ela ia procurando as palavras mais próprias
para dar a entender àquele desconhecido
imbecil o que era, afinal, evidente.- É
o que a gente anda sempre a esquecer, não
é assim? Quero dizer: esquecemo-nos constantemente
de dar atenção às coisas que acontecem.
E isso é o mesmo que não estar aqui e neste
momento." [p.20]"Ninguém tem necessidade
de ir para qualquer outro lado. Todos nós
já lá estamos; só falta sabermos que de
facto assim é. Se eu soubesse realmente
quem sou, deixaria de proceder como a pessoa
que julgo ser e, se eu deixasse de proceder
como a pessoa que suponho ser, saberia quem
sou." [p.48]"O patriotismo não
basta. Nem qualquer outra coisa. Não basta
a ciência, não basta a política nem a economia
nem o amor, nem o dever nem a acção, por
muito desinteressada que seja, nem a contemplação,
embora sublime. Só tudo, mas absolutamente
tudo é que poderá bastar." [p.167]
B -
APLICAÇÃO PRÁTICA
A ILHA
Adaptação e dramatização
de excertos do romance de Aldous Huxley,
A Ilha, considerados essenciais para a compreensão
dos conceitos apresentados no enquadramento
teórico.
I
Susila- Como se sente?
Will- Sinto-me infeliz.
Sinto-me infeliz.
Susila- Chamo-me Susila
Macphail. Sou a mãe de Mary Sarojini.
Will- Muito prazer em conhecê-la.
Susila- Ouvi dizer que
é de Inglaterra.
Will-Que me importa a mim
donde sou! Nem para onde vou. Vim do Inferno
e vou para o Inferno.
Susila- Eu estive em Inglaterra.
Estive lá a estudar. Em psicologia tive
uma colega cuja família vivia em Wells.
Convidou-me para passar em sua casa um mês
das férias grandes. Conhece Wells? Nessa
altura, gostava imenso de passear à beira
da água e de me pôr a olhar para a catedral.
E de pensar em Dugald, imaginando-o na praia,
à sombra das palmeiras, em Dugald a dar-me
a primeira lição sobre a maneira de trepar
às rochas. "Estás presa à corda. Não
há possibilidade alguma de caíres".
Que lindo que era! Que maravilha!Uma sensação
extraordinária de paz. Chanti, Chanti, Chanti.
A espécie de paz que ultrapassa o nosso
entendimento. Se fechar os olhos...se eu
fechar os olhos vejo tudo com a maior nitidez.
A igreja, enorme, muito mais alta do que
as árvores gigantes que crescem em torno
do palácio do bispo. Estou a ver a relva
verde, a água e a luz dourada do sol. E
ouça: até estou a ouvir os sinos. Os sinos
e as gralhas. As gralhas na torre...Não
está a ouvir as gralhas?(pausa) E havia
nuvens brancas e por entre elas, um céu
de um azul tão pálido, tão fino e tão maravilhosamente
suave! E os cisnes...os cisnes...tão perto
de mim neste momento que quase lhes posso
tocar, e contudo, tão longínquos...a milhas
de distância! Lá longe, nessa água aveludada,
deslocando-se como por artes mágicas, suavemente,
majestosamente...
Will- Flutuando sem esforço...flutuando
sem esforço.
Susila- Eu tinha o costume
de me sentar nesse sítio, sentava-me ali,
a olhar, a olhar e, daí a pouco, eu própria
tinha a sensação de flutuar. De flutuar
com os cisnes, sobre aquela superfície aveludada,
por entre a escuridão da terra e a doçura
pálida do céu, lá em cima. A flutuar, entre
o aqui e o além, entre o então e o agora.
A flutuar à superfície, entre o real e o
imaginário. A flutuar...a flutuar como uma
ave branca sobre as àguas.
A flutuar no grande rio da vida, que corre
de mansinho, tão de mansinho que se diria
estar a dormir. Um rio a dormir...mas correndo
irresistivelmente. A vida correndo, silenciosamente,
irresistivelmente, para uma vida mais cheia,
para uma paz vibrante de vida. E é para
dentro dessa paz que você vai agora a deslizar,
a deslizar, nesse rio silencioso e macio
que dorme e é, no entanto, irresistivel,
irresistível porque se encontra a dormir.
E vou flutuando com ele. Apenas deixando-me
ir, ao longo do rio adormecido, irresistivelmente,
para dentro da unidade e reconciliação.(pausa).
Durma. Durma, no rio adormecido. E, por
cima do rio, no céu pálido, há nuvens brancas
e enormes. E, quando você as contempla,
começa a flutuar em direcção a elas. Sim.
Começa a flutuar em direcção a elas e, agora,
o rio é um rio aéreo, um rio invisível que
o transporta, que o eleva cada vez a maior
altura. Deixa sem esforço a planície sufocante,
a caminho da frescura das montanhas. Quando
respira, como o ar lhe parece fresco! Fresco,
puro, saturado de vida! Frescura, frescura
e sono... Frescura, que o penetrará de uma
nova vida. Mergulhe através do sono na reconciliação,
na unidade, até penetrar numa paz cheia
de vida. (sai)
II
Susila- Não há dúvida que
tem muito melhor aspecto do que quando aqui
estive da última vez.
Will- Graças ao dr. Macphail.
E também graças a alguém que- tenho cá as
minhas suspeitas- anda por aí a exercer
ilegalmente a medicina. Que diabo é que
me fez ontem à tarde?
Susila- (sorri)O senhor
é que se tratou a si próprio. Eu limitei-me
a carregar nos "botões".
Will- Que botões?
Susila- O da memória, o
da imaginação...
Will- E bastou isso para
me pôr em transe hipnótico?
Susila- Se assim lhe quiser
chamar...
Will- Mas que é que se
verificou, afinal?
Susila- Bem, para começar,
estabelecemos um certo contacto, não é verdade?
Will- Sem dúvida. E, no
entanto, creio que, nessas alturas, nem
sequer para si olhei.
Susila- E como é que poderia
olhar? se tinha partido para férias?
Will- Ou não me teriam
antes atirado para a viagem?
Susila- Atirado? Não. Digamos
antes que o acompanharam na hora da partida,
que o ajudaram.(pausa) Já alguma vez tentou
fazer um trabalho qualquer, com uma criança
a perturbá-lo?(pausa, Will ri-se ao evocar
uma imagem) Coitadinho do pequeno! Tão bem
intencionado e ansioso por ajudar!
Will- Pois sim, mas depois
era tinta na carpete, marcas de dedos sujos
nas paredes...
Susila- De maneira que,
por fim, você resolveu desembaraçar-se dele.
"Põe-te a andar, rapazinho! Vai brincar
para o jardim."(pausa)
Will- Então?
Susila- Não percebeu?(Will
abana a cabeça) O que é que acontece quando
você adoece e sente dores? Quem é que se
encarrega de o curar? É você?
Will- Pois quem há de ser?
Susila- É você? Você? A
pessoa que sofre a dor e se mortifica e
pensa no pecado e no dinheiro e no futuro!
É esse o seu eu capaz de fazer o que é necessário
fazer?
Will- Ah!, já sei onde
quer chegar.
Susila-Até que enfim!
Will- Manda-me brincar
para o jardim, a fim de que a gente crescida
possa trabalhar à vontade.
Susila- Exactamente.
Will- É esse o processo
padrão em Pala?
Susila- Sim. Na sua região,
os médicos libertam-se das crianças, envenenando-as
com barbitúricos. Nós fazêmo-lo, falando-lhes
em catedrais e em gralhas. (a voz torna-se
mais doce) Falamos-lhes de nuvens brancas
a flutuar no céu, de cisnes brancos, deslizando
no rio da vida, rio calmo e irresistível,
no meio das sombras...
Will- Chega, chega. Não
quero nada disso! É que já conheço as suas
manhas.
Susila- Manhas? Estava
simplesmente a explicar-lhe como procedi.
Se quiser ensino-o a carregar nos próprios
botões. Ensinamos isso em todas as escolas
elementares. Autodeterminação, ou seja,
Controlo do Destino.
Will-Controlo do Destino?
Susila- Não, não somos
tão idiotas como pensa. Sabemos que apenas
parte do nosso destino pode ser controlado.
Will- E controlam-no carregando
em botões?
Susila- Carregando nos
nossos botões. Em seguida visualizamos o
que gostaríamos que acontecesse.
Will- E acontece realmente?
Susila- Em muitos casos
acontece.
Will-Coisa fácil! (pausa,
longo silêncio)
Susila- Que tem?
Will- Nada. Porque pergunta
isso?
Susila- Porque não tem
lá grande habilidade para esconder o que
sente. Estava a pensar em qualquer coisa
que o entristeceu.
Will- Tem uns olhos muito
penetrantes.(desvia o olhar, ficando pensativo
durante algum tempo) O dr. Macphail contou-me
qualquer coisa... a respeito do que aconteceu
a seu marido.
Susila- Vai fazer na quarta-feira
quatro meses.(pausa) Duas pessoas, duas
individualidades separadas, mas que tinham
conseguido qualquer coisa semelhante a uma
segunda criação! E, de repente, eis que
metade dessa criatura é amputada enquanto
a outra metade não morre.
Will- Mas o que se torna
realmente horrível é ver a outra pessoa
morrer por nossa culpa!
Susila- Você era casado?
Will- Fui casado durante
doze anos. Até à primavera passada.
Susila- E ela morreu?
Will- Morreu de desastre.
Susila- De desastre? Nesse
caso como é que a culpa foi sua?
Will- O desastre aconteceu
porque... bem, porque eu fiz o mal que não
queria fazer. E, nesse dia, é que a minha
maldade atingiu o ponto culminante. O sofrimento
que isso lhe causou perturbou-a, fez-lhe
perder a capacidade de atenção e eu deixei-a
sair de carro; deixei-a avançar no choque
que a havia de matar.
Susila- E você gostava
dela?( Will, hesitante, abana a cabeça)
E havia alguém que lhe interessasse mais?
Will- Alguém que me não
poderia interessar menos.
Susila- E esse foi o mal
que você fez e não queria fazer?
Will- Fi-lo e continuei
a praticá-lo até que matei a mulher que
devia ter amado e não amei. Continuei a
fazê-lo, mesmo depois de lhe ter causado
a morte, mesmo depois de começar a odiar-me
a mim próprio por esse facto e de odiar
igualmente aquela que me forçava a praticá-lo.
Susila- E ela obrigava-o
a praticar o mal por possuir o tipo de corpo
que lhe convinha, não é assim?
Will- (acena afirmativamente,
pausa) Sabe o que é uma pessoa sentir que
é nada nem mesmo o seu próprio ser?
Susila- (acena afirmativamente)
Acontece isso, por vezes, quando uma pessoa
se encontra prestes a descobrir que tudo,
incluindo o próprio ser, é muito mais real
do que alguma vez imaginou.
Will- E uma pessoa também
aprende a esquecer?
Susila- Não se trata de
esquecer. O que uma pessoa tem de aprender
é a maneira como se deve lembrar das coisas,
sem que, por isso, se encontre dominada
pelo passado. Não é fácil.
Will- Não, não é fácil.
Quer ajudar-me nesse ponto?
Susila-Combinado.
III
Susila- J. S. Bach. A música
mais próxima do silêncio, e, no entanto
capaz de atingir o espírito mais impenetrável.(pausa)
O que é que está a ouvir?
Will- Estou a ouvir o que
vejo e a ver o que ouço.
Susila- E como é que descreveria
essas sensações?
Will- Acho que se parece...
com a criação. Mas não uma criação em tempo
limitado. É uma criação perpétua, que não
acaba nunca.
Susila- Criação perpétua
a partir de não sei quê em parte alguma,
que se vai transformando em qualquer coisa,
em qualquer parte, não é assim?
Will- É isso mesmo
Susila- Está a fazer progressos.(pausa,
ouvem a música)
Will- É um sofrimento
infinito! E nem podemos falar. Nem sequer
podemos gritar!
Susila- (ajoelha-se frente
a Will e pousa as suas mãos no seu rosto,
Escorrendo os dedos desde a testa até aos
olhos, em ligeiras massagens) Atenção! Atenção
a isto. A isto. A este momento. Ao seu rosto
entre as minhas duas mãos.
Will- Atenção a quê?
Susila- A isto. A isto.
Aqui e neste momento. E não se trata de
nada romântico como o sofrimento. Trata-se
de uma sensação de unhas a enterrarem-se.
E, ainda que se tratasse de coisa muito
pior, nunca se poderia prolongar sempre
ou até ao infinito. Nada dura eternamente;
nada chega ao infinito.(descansa os dedos
nos olhos de Will) Dê atenção(sussurro)
Will- Parece uma corrente
eléctrica!
Susila- Mas, felizmente,
o fio não transmite mensagens. Tudo se limita
a uma pessoa estabelecer um contacto e,
no acto de tocar é igualmente tocada. Comunicação
completa mas sem que se comunique coisa
alguma. Tudo se resume a uma permuta de
vida e mais nada.(pausa) Já pensou, Will,
que, durante todas estas eternidades, nem
uma vez sequer olhou para mim? Tem medo
do que poderá ver?(pausa, Will abana a cabeça)
Agora é tempo de abrir os olhos e de ver
como é realmente um ser humano.(as pontas
dos dedos deslocaram-se das pálpebras para
a testa, deslizaram até às fontes e até
aos extremos dos maxilares, acabando por
ir segurar as mãos de Will)
Will-(abre os olhos) Santo
Deus!
Susila- Serei assim tão
repelente?
Will- Você é reconhecivelmente
você e eu sou reconhecivelmente eu, embora
sejamos agora completamente diferentes.
Você e eu, assinados pelo pintor Rembrandt,
mas por um Rembrandt cem mil vezes mais
Rembrandt do que o autêntico. Você é incrivelmente
bela! Mas ainda que fosse incrivelmente
feia, isso não teria importância nenhuma;
ainda assim, você continuaria a ser um Rembrandt,
mas cinco mil vezes mais Rembrandt. Linda,
linda, linda. E, no entanto, não me apetece
dormir consigo. Não, não é verdade. Gostaria
de dormir consigo. Gostaria mesmo muito.
Mas se isso não acontecer nunca, também
não terá importância. Continuarei a amá-la.
Mas vejamos esse seu rosto extraordinário.É
qualquer coisa que se renova a cada momento.
Maria com as espadas a trespassar-lhe o
peito e Circe e Ninon de Lenclos e agora
alguém que se assemelha a Juliana de Norwich
ou a Catarina de Génova. Serás tu realmente
todas elas?
Susila-Todas e mais uma
idiota. Mais uma mãe preocupada e não muito
eficiente. Mais um pedacito da pequena pretensiosa
e sonhadora dos meus tempos de criança.
E ainda mais: potencialmente, a velha agonizante
que do espelho me contemplou da última vez
que eu e Dugald tomámos o moksha. E, depois,
Dugald olhou para o espelho e viu o aspecto
que ele próprio teria daí a quarenta anos.
E em menos de um mês estava morto.(fecha
os olhos, pausa) Uma pessoa regressa ao
passado com tanta facilidade. E também demasiadas
vezes.
Will-(toca nos lábios de
Susila) Atenção!
Susila- (longa pausa, ergue
a mão e aperta com força o dedo de Will
contra o seu lábio) Obrigada!(abre os olhos)
Will- Porque é que me agradeces?
Foste tu que me ensinaste o que eu devia
fazer.
Susila- E agora és tu que
tens de ensinar a tua professora.(levanta-se,
segurando Will, que a segue, pela mão, param
em frente ao público) Agora que finalmente
reconheceste a minha existência, dou-te
licença de olhares à tua vontade.
Will- (emocionado) Porque
é que uma pessoa há-de sentir necessidade
de chorar quando se sente grata? Blake estava
certo, "a gratidão é o próprio céu".
Susila- E é tanto mais
celeste quanto é certo que é o céu na terra
e não o céu no céu.
C
- BIBLIOGRAFIA
Obras Consultadas
- ALBERONI, Francesco. A Génese, Bertrand
Editora, Lisboa, 1990.
- BORIE, Monique-ROUGEMENT, Martine-SCHERER,
Jacques. Estética Teatral, Textos de
Platão a Brecht, Fundação Calouste Gulbenkian,
Lisboa, 1996.
- REDFIELD, James. A Profecia Celestina,
Editorial Notícias, Lisboa, 1997
- REDFIELD, James-ADRIENNE, Carol. A
Profecia Celestina, Um Guia Experimental,
Editorial Notícias, Lisboa, 1995
- REDFIELD, James. A Décima Revelação,
Editorial Notícias, Lisboa, 1996
- ABEL, Lionel. Metateatro, Uma Visão
Nova da Forma Dramática, Zahar Editores,
Rio de Janeiro, 1968
- HUXLEY, Aldous. A Ilha, Edição "Livros
do Brasil", 1962, Lisboa.
- Dossier da Disciplina de Antropologia
Teatral sob Direcção de George Stobbaerts.
Consultas na Internet
Pensamento
Poesia
Discursos
Rajá
da Ilha
Encontro
c/Timothy Leary
As
Portas da Percepção
A
Ilha
Timothy
Leary
Fundação
A Ilha
Bibliografia
Biografia
[1] Francesco Alberoni, Génese, Bertrand Editora, 1990,
p. 39.
[3] K. Marx-F. Engels, A Ideologia Alemã, em F. Alberoni,
Génese, p.25.
[4] F. Alberoni, Génese, p. 334.
[5] Nietzsche, A Origem da Tragédia, em Monique Borie-Martine
de Rougement-Jacques Scherer, Estética
Teatral, Textos de Platão a Brecht, Fundação
Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1996.
[6] E. Durkheim, Juízos de Valor e Juízos de Realidade,
em F. Alberoni, Génese.
[7] Nietzsche, A Origem da Tragédia, em M. Borie-M.
Rougement-J. Scherer, Estética Teatral,
Textos de Platão a Brecht, p. 348.
[8] Aristóteles, Poética, em M. Borie-M. Rougement-J.
Scherer, Estética Teatral, Textos de Platão
a Brecht.
[9] Henry Bergson, As Duas Nascentes da Moral e da
Religião, em F. Alberoni, Génese, p. 345.
[10] F. Alberoni, Génese, p. 346.
[12] Victor Hugo, Prefácio de Cromwell, em M.Borie-M.
Rougement-J. Scherer, Estética Teatral,
Textos de Platão a Brecht, p. 300.
[13] Piscator, O Teatro Político, em M. Borie-M.Rougement-J.
Scherer, Estética Teatral, Textos de Platão
a Brecht, p. 443.
[14] James Redfield-Carol Adrienne, A Profecia Celestina:
Um Guia Experimental, Editorial Notícias,
Lisboa, 1995, p. 40.
[15] James Redfield, A Décima Revelação, Editorial
Notícias, Lisboa, 1996, p. 126.
[16] F. Alberoni, Génese, p. 575.
[19] J. Redfield-C. Adrienne, A Profecia Celestina:
Um Guia Experimental, p. 129.
[20] Ver em James Redfield, A Profecia Celestina,
Editorial Notícias, Lisboa, 1997 (7ª edição),pp.
124-126.
[21] F. Alberoni, Génese, p. 565.
[23] J. Redfield, A Profecia Celestina, e J. Redfield-C.
Adrienne, A Profecia Celestina: Um Guia
Experimental.
[24] J. Redfield-C. Adrienne, A Profecia Celestina:
Um Guia Experimental, p. 153.
[25] Michael Murphy, The Future of the Body, em J.
Redfield-C. Adrienne, A Profecia Celestina:
Um Guia Experimental, p. 254.
[26] J. Redfield-C. Adrienne, A Profecia Celestina:
Um Guia Experimental, p. 256.
[27] Aldous Huxley, A Ilha, Edição "Livros do
Brasil", Lisboa, 1962, p. 188.
[31] "Um rakshasi é uma espécie de demónio, muito
grande e horrivelmente feio. É a personificação
de todas as paixões más. A dança de rakshasi
é um estratagema para levar as pessoas
a libertarem-se de todos os vapores provocados
pela cólera e pela frustração", Idem,
p. 280.
|