| O
Culto como Kitsch ou o Kitsch como Culto
Citando agora Abraham Moles talvez o Kitsch
possa ter uma função
pedagógica, se fôr usado
como uma passagem para atingir o genuíno,
ou seja que se faça a
cult(ura)ção das massas
com cult(ura) verdadeira que permita a sua
evolução e não a sua
estratificação.
A nossa cult(ura)
, totalmente auto-intoxicada pelos sub-produtos
venenosos da sociedade tecnológica,
do egocentrismo e etnocentrismo ideológico,
herdada e projectada pela atitude dominadora
do Poder,
que considera a alteração
dos estados de consciência induzidada
pela verdadeira cult(ura) como errada, onanista,perigosa,perversa
e anti-social, em que a
supressão da gnose artística
nos rouba o significado
verdadeiro de vida, tornando-nos
inimigos de nós própros, do
planeta e mesmo das gerações
vindouras, para manter intacto os pressupostos
enganadores do estilo cult(ural)
como ego dominador das actuais classes governantes.
É chegado pois o tempo
de mudança.
Assim hoje em dia a verdadeira cult(ura)
é considerada pelos valores das classes
dominantes , como um Kitsch
, de mau gosto, de loucos ou párias
sociais, incomodativo, popularista ou de
terrorismo destrutivo dos valores estabelecidos
e interiorizados pela emergência da
Modernidade materialista.
O Macarthismo nos Estados Unidos começou
por perseguir os verdadeiros artistas que
não estavam de acordo com os valores
vigentes acusando-os de Kitsch comunista,
que a longo prazo tornou Hollywood na fábrica
de sonhos do Kitsch
actual
Talvez seja pois tempo de desenvolver e
aprofundar e não deixar cair a verdadeira
cult(ura)
, como forma de luta contra esta reversão
de valores imposta pelo Kitsch
dominante, e afinal ser kitsch hoje
talvez seja ser vanguardista pois se a verdadeira
cultura choca com as noções
estabelecidas do que é bom-gosto,
então ela pode ser considerada um
kitsch no ponto de vista do establishement
.
Daí como diziamos no princípio
deste artigo este site tem um nome que envolve
dois conceitos propositada ou aparentemente
contraditórios. Se calhar ser Kitsch
hoje é lutar por uma
cult(ura) considerada pelo status
quo do Poder
e pela classe média por ele politizada,
como aberrante, disfuncional, agressiva
ou fora de moda .
É preciso entender este dilema histórico
em que toleramos que o Poder
da religião, dos politícos
e dos cientistas, que através dos
seus associados , os MEDIA, absurdamente
nos ditem onde é
legítimo usar a imaginação
humana , eliminando a curiosidade
e gerando a desinformação
e a ignorância como forma de controlo,
criando pois a impossibilidade de quebrar
com o senso-comum, que sempre foi o catalisador
das mudanças sociais e políticas.
Assim o poder estabelecido está em
estado de esclerose autogerada, o que normalmente leva
a dissoluções violentas e disrruptivas
do status quo vigente.
É pois altura de nos rendermos á
evidência que é necessário
e que devemos transformar as nossa mentes.
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