| Kitsch
e Polítika
A necessidade histórica do aparecimento
do Kitsch
é intrínseco à modernidade
e prende-se com a compulsão da estética
artificial para escapar à normatividade
e á anomia , duma fuga prazenteira
ao stress, monotonia e tédio da vida
quotidiana.
O Kitsch
é portanto Repetição,
Imitação, Falsificação
e Estética da Auto-Decepção,
uma forma de mentira e embuste, em que o
ideal da beleza é socialmente distribuído
a uma classe média como outra comodidade
sujeita ás leis do mercado da oferta
e da procura, e ludibriando as classes da
faixa de pobreza se anestesiam na mira de
atingir O El Dorado que afinal não
lhes é acessível.
O Kitsch
é pois sinónimo de má
kultura ou falsa arte, um esboço
grosseiro, barato, uma porcaria fortemente
depreciativa, produzida
normalmente para propaganda ou fácil
entretimento, com qualidades formais inapropriadas
a um conteúdo ou intenção
cultural, de fácil aquisição
financeira e espiritual, atribuindo-lhe
a significação de verdadeira
Arte.
Na modernidade das
Democracias caracterizadas por uma
filosofia de capitalismo
selvagem (sem ética social
ou ontológica ), que estranhamente
quer dizer governo
do povo e não da minoria dos
políticos, que há muito abandonaram
o Idealismo da justiça
social e da libertação do(s)
Outro(s), sem corrupção
material ou pessoal (activa ou passiva).
Assim hoje os políticos desenvolvem
a sua actividade , trabalhando hoje em prol
do clientelismo
pessoal e/ou partidário e dos lobbies
económicos dominantes que os financiam,
ou da opinião mediática de
contabilização de pessoas
como percentagens de meros votos numa folha
de papel.
O Homem comum
não percebe que a sua evolução
mental é o prazer espiritual que
constitui o charme principal da sua Vida,
chegando obtusamente a considerá-lo
como um obstáculo á prosecução
dos seus objectivos materiais
Assim hoje, os leitores
da idade democrática com tempo reduzido
para longos textos escritos, querem
livros facilmente localizáveis, de
rápida leitura e leve compreensão,
falsa concepção de beleza,
quer o inesperado e o novo com emoções
rápidas e passagens assustadoras,
impressionantes , com efeitos rápidos
e previsíveis, sem incertezas ou
sensação de insegurança
pessoal, que possa ser comungada e exibida
entre tudo e todos (Mass
Man).
Recentemente o Kitsch
tornou-se um meio
para sistematizar, institutionalizar, uniformizar
e atingir o maior número possível
de massas, em que o mau gosto destes
Tempos Modernos, é ilusão,
uma manipulação ideológica
do gosto, aproveitada
pela actividade empresarial para lucrar
com as exigências culturais desta
nova classe recentemente acordada,
em que as novas tecnologias tornam possível
a produção barata de livros,
imagens, música, móveis, artesanato,
etc., em quantidades suficientes para satisfazer
o mercado.
O Kitsch
é psicológica
e sociologicamente a expressão de
um estilo de vida da classe média
burguesa, com uma relação
ascética, hedonista, agressiva, aquisitiva,
funcionalista ou cibernética com
os objectos, baseada no princípio
que a genialidade é vista como a
capacidade para criar obras baseadas numa
mediocridade, que como um bom produto, deve
ser acessível e perceptível
a todos.
Assim quase tudo o que é associado
á Kult(ura)
artística pode ser transformado
e reciclado, imitado ou duplicado, reproduzido
e standartizado, enfim um placebo tónico
e eclético para diversão do
consumidor compulsivo, como reacção
contra o terror da constante mudança
(que por aumento de velocidade constante
gera paranóia e esquizofrenia) ,
do movimento perpétuo da transformação
da realidade e do senso moderno de vacuidade
espiritual.
.
"O único
e a raridade hoje tornou-se um conceito
anacrónico deixando um espaço
vazio nas utopias , como sentido orientador
para um futuro melhor."
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